Jornalista é assassinado na divisa com o Paraguai

Delegado desconfia que morte tenha sido encomendada e pode ter sido feita por pistoleiros contratados

João Naves de Oliveira, especial para O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 17h57

O jornalista Paulo Roberto Rodrigues Cardoso, 51 anos, foi assassinado no início da madrugada desta segunda-feira, 13, em Ponta Porão (MS), na divisa com o Paraguai. Dois homens não identificados dispararam 12 tiros com armas de calibre 9 milímetros contra a vítima e fugiram em uma motocicleta. Seis projeteis acertaram o profissional que morreu por volta de 5h, em um hospital da cidade situada a 320 quilômetros de Campo Grande, separada do Paraguai pela Avenida Brasil, onde aconteceu o homicídio.

Cardoso deixa dois filhos, esposa e trabalhava há 30 anos no Jornal da Praça, antigo diário de Ponta Porã e era diretor de redação do site de notícias Mercosul News. Segundo o delegado Clemir Vieira Júnior que está investigando o caso, o crime pode "ter sido executado por pistoleiros contratados". A ex-esposa do jornalista, Nilda Cardoso, 49 anos, disse o ex-marido não comentava nada sobre trabalho em casa. "Eu desconheço qualquer ameaça ou desavença que poderia criar uma situação dessa".

A Polícia Civil não recebeu qualquer queixa de Cardoso e informou não existir antecedentes policiais que poderiam, envolve-lo direta ou indiretamente como "um ficha suja na polícia". Imagens das câmeras instaladas na Avenida Brasil, estão sendo analisadas e colegas da imprensa local ouvidos sobre o assunto na Delegacia Central de Polícia Civil de Ponta Porá, principalmente repórter das áreas políticas e policiais, editorias preferidas pela vítima.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) enviou nota, assinada pelo presidente da entidade Celso Schroder, ao sindicato da categoria na Grande Dourados, com jurisdição em Ponta Porã, lamentando o fato e solicitando providências urgentes no esclarecimento de mais "uma ocorrência de extrema violência contra os profissionais da imprensa brasileira". A nota acrescenta que Cardoso era bom profissional, respeitado na região e amava a profissão.

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