Jornalista assessor de ACM depõe no caso do grampo

O jornalista Fernando César Mesquita prestou depoimento nesta quinta-feira ao delegado federal Gesival Gomes dos Santos,que investiga o suposto envolvimento do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) nos grampos clandestinos instalados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia.Mesquita, que é assessor de ACM, confirmou que o senador tinha em seu poder o resumo das transcrições telefônicas de conversas do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e de outros políticos. Ressaltou, entretanto, que nunca ouvira ACM dizer a jornalistas da revista IstoÉ que mandara "grampear" Geddel e que teria "grande quantidade de horasgravadas ou transcrições de horas gravadas".Para as investigações, o depoimento do assessor do senador teve pouca validade, já que Mesquita praticamente afirmou que nãotinha nenhum conhecimento do assunto até a publicação de uma reportagem abordando os grampos clandestinos. Mas a PF espera reverter o quadro nesta sexta-feira, quando irá tomar o depoimento do deputado Paulo Magalhães (PFL-BA), sobrinho de ACM.O parlamentar, segundo a juíza de Itapetinga (BA), Tereza Cristina Navarro Ribeiro, teria ligado para ela pedindo queevitasse cobrar do delegado Valdir Barbosa - então diretor de polícia do Estado ? um documento no qual uma operadora de telefonia comunicava a escuta clandestina. O ofício havia sido enviado à juíza, mas Barbosa esteve no fórum e pegou o documento, devolvendo-o após muita insistência.Nesse período, conforme depoimento de Tereza Cristina, Paulo Magalhães fez algumas interferências em favor do delegado.Na próxima semana, o delegado Gomes vai encaminhar o inquérito à Justiça, pedindo mais 30 dias de prazo para o encerramento do caso. Só depois disso é que irá convidar ACM para depor em local, hora e data definidas pelo senador, que tem foro privilegiado.Até agora, apenas o casal de advogados Plácido Faria e Adriana Barreto - ex-namorada de ACM - , além de Geddel, do deputado Nelson Peregrino (PT-BA) e do ex-deputado Benito Gama, acusaram o político baiano de estar relacionado aos grampos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.