Jornal português dá destaque a morte de Covas

O jornal Publico, de Lisboa, dá grande espaço à morte do governador Mário Covas. O governador de São Paulo era um dos mais importantes políticos da era democrática do Brasil, diz o jornal. Covas, diz o jornal, era um dos políticos brasileiros mais importantes da história pós-ditadura militar, lutava há dois anos e meio contra um câncer na bexiga que se espalhou, em metástase, pelo intestino e pela meninge.?Mário Covas formava, com Fernando Henrique Cardoso e José Serra (atual ministro da Saúde e provável candidato à presidência) a trindade fundadora do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Por ter adotado como símbolo o tucano (pássaro mais famoso pelo bico espetacular do que pela autonomia de vôo), dizia-se que aqueles respeitabilíssimos mas pouco populares paulistas teriam vôo curto na política nacional. Em vez disso, governam o Brasil e o Estado mais rico do país há dois mandatos consecutivos.??O fato de ter partilhado com Fernando Henrique Cardoso as principais lutas políticas em que se envolveu não tirou a Covas a independência que sempre caracterizou sua atuação política: ?Sou um subversivo dentro do meu partido. (...) Se não concordo com o Presidente, eu digo. Até porque acho que a tarefa é essa. O partido não é um grupo de autômatos que obedecem?, disse, no ano passado, numa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, cita o jornal português.Segundo o diário português, Covas foi contra a emenda constitucional que estabeleceu a hipótese de reeleição, e nunca escondeu as divergências com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. ?Fernando Henrique Cardoso sempre respeitou as críticas que lhe foram endereçadas por Covas. Primeiro, porque parecia evidente que entre os dois havia, além de respeito, afeto. Mas, além disso, o Presidente não teria mesmo outro remédio porque o maior patrimônio construído nos 40 anos de vida pública de Mário Covas (aí incluídos os dez anos de ostracismo impostos pela ditadura militar) foi precisamente a respeitabilidade.?O jornal conta que no enterro haverá o primeiro encontro entre Fernando Henrique Cardoso e o ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, depois de o senador, um ex-aliado, ter incluído o Presidente na saraivada de denúncias de corrupção que vem fazendo. O artigo é assinado pelo correspondente de Publico no Brasil, Mario Negreiros.

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