Jornal de central sindical defende apoio a Dilma

A Editora Gráfica Pana, que imprimiu 1 milhão de cópias do panfleto anti-Dilma intitulado Apelo a todos os brasileiros e brasileiras - por encomenda da Diocese de Guarulhos - também produziu 75 mil exemplares do Jornal da CTB, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, com apoio explícito à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

AE, Agência Estado

20 de outubro de 2010 | 10h03

Na capa da edição número 18 do jornal aparecem a presidenciável e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lado a lado. Abaixo, o título: "O desafio do 2.º turno". A CTB, fundada em 2007, agrega 750 sindicatos. O jornal tem quatro páginas.

À página 2, o título "Dilma: para o Brasil continuar no rumo certo". O texto diz: "A CTB volta a lembrar que é preciso estar alerta e não se esquecer o que significa a volta daqueles que representam o projeto neoliberal entreguista, que governa para poucos, jogando seus prejuízos nas costas da classe trabalhadora. Algo já presenciado nos governos anteriores, com destaque para a era FHC, que promoveu o desmonte do Estado."

Na página 3, um artigo de Wagner Gomes, presidente da central. Ele afirma: "Ao contrário do que apregoa grande parte da mídia golpista, a eleição de Dilma para a sucessão do presidente Lula não está ameaçada". Gomes defende grande mobilização da militância no segundo turno para garantir a vitória da petista. "A CTB estará na linha de frente dessa batalha. Serão quatro semanas de militância contínua, para eleger Dilma Rousseff e, assim, garantir que o Brasil continuará ampliando as conquistas iniciadas pelo presidente Lula."

Eduardo Navarro, secretário de Imprensa e Comunicação da CTB, afirmou que a central fez declaração de voto em Dilma, mas não está apoiando a petista. "Apoio significa estrutura e dinheiro e isso não estamos dando", anotou Navarro. O secretário explicou, ainda, que as centrais sindicais decidiram elaborar uma carta-programa a todos os candidatos. "Aquele que mais se aproximasse das propostas da carta receberia nossa declaração de voto. Estamos nos baseando numa decisão da direção da CTB e em consulta jurídica que fizemos."

Anúncios

A edição deste mês da Revista do Brasil, vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), tem anúncios de página inteira da estatal Petrobras e do Banco do Brasil. Anteontem, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a divulgação da publicação, a pedido da coligação "O Brasil pode mais", que apoia o tucano José Serra e acusa a CUT e outras entidades sindicais de produzir material para promover a petista Dilma Rousseff.

"Anúncios publicitários são sempre bem-vindos", disse ontem o vice-presidente da CUT, José Lopez Feijóo. Ele, porém, não quis responder a perguntas sobre a política editorial da publicação. "A revista não é da CUT. Ela tem uma editora responsável, com CNPJ próprio, e quem responde pela revista é ela."

O Banco do Brasil disse ontem que "não informa valores comerciais". "O BB anuncia em mais de 200 revistas, neste total incluídas tanto as de interesse geral, como as direcionadas para nichos empresariais e setoriais." A Petrobras também não informa valores. Segundo a estatal, cerca de 0,5% da sua verba publicitária vai para anúncios e ações em federações, confederações, associações de classe e sindicatos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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