Jornal da Nova Zelândia relaciona morte de Blake à miséria no Brasil

A edição on-line do jornal neozelandês The New Zealand Herald relaciona a morte do navegador Peter Blake, considerado o maior velejador do mundo, à miséria na Amazônia, "um terreno fértil para este tipo de crime", servindo de "camuflagem natural aos traficantes de armas e de drogas". Blake foi morto por piratas na noite de quarta-feira, no Amapá."Enquanto estatísticas internacionais mostram que o Brasil tem taxas de pirataria de rios não pior que em outras partes do globo, aqueles familiarizados com o empobrecimento da região Amazônica dizem que a violência é parte do cotidiano dos que lá vivem", comenta o jornal.Segundo o The New Zealand Herald, somente depois de casos envolvendo pessoas como Blake, citado como ?herói?, ou do sindicalista Chico Mendes, é que "o mundo percebe o lado mais selvagem dos pulmões da Terra".A morte do navegador também é destaque em outro jornal daquele país, o Wairarapa Times Age e também de jornais australianos, como o Sidney Morning Herald, que relembra que o Brasil já tem uma "história de ataques semelhantes" e também cita o assassinato de Chico Mendes.Imagem do BrasilO assassinato de Peter Blake está recebendo uma grande destaque na imprensa internacional e deverá ter um impacto negativo sobre a imagem do Brasil junto a turistas estrangeiros, segundo a avaliação de profissionais do setor que trabalham no Reino Unido. "Ao longo dos últimos tempos o governo brasileiro vem desenvolvendo um trabalho muito positivo na promoção do País no exterior, mas um caso de violência como esse, ainda mais envolvendo uma pessoa tão famosa, prejudica todo esse esforço", disse à Agência Estado o proprietário da agência de turismo Latin America Travel, Jorge Mendes. "Ainda mais envolvendo a Amazônia, um dos principais cartões postais do Brasil e que vem atraindo cada vez mais o interesse dos estrangeiros", completou.Mendes, que trabalha há cerca de vinte anos com turismo na Inglaterra, disse que esse tipo de incidente acaba afetando indiretamente todos os destinos turísticos do país. Segundo ele, os agentes de viagens estrangeiros, em sua maioria, desconhecem o Brasil, e isso leva a generalizações. "Tem muita gente que não sabe explicar qual a distância da Amazônia do Rio de Janeiro, por exemplo, e essa ignorância, nesses momentos, faz com que as pessoas pensem no país como um todo?. Segundo o empresário, o Rio de Janeiro padeceu durante muito tempo de uma imagem fortemente ligada à violência urbana. "Mas nos últimos anos isso melhorou bastante, o que se reflete inclusive na maior demanda por pacotes para o Rio."O diretor do escritório oficial de turismo do Brasil na Grã-Bretanha, Christopher Pickard, também considera que o caso Blake terá um efeito negativo para o país. "Blake era o ´Pelé´ da Nova Zelândia e a repercussão na imprensa é muito grande", disse Pickard. Ele observou, no entanto, que o dano deverá se limitar principalmente à Amazônia. "É um destino envolto por ainda forte componente de aventura e que atrai pessoas com grande interesse em aspectos ecológicos", disse. "Não se trata de um caso de violência urbana, um problema que por um bom tempo afugentou os turistas mas que está sendo equacionado nos últimos anos."Turistas e iatesPickard alertou que a morte de Blake deverá ter um impacto enorme sobre os donos de iates que planejavam navegar na região amazônica. Segundo ele, a Amazônia está atraindo cada vez mais o interesse desse cobiçado segmento de turistas, que realizam gastos elevados em suas viagens. Há cerca de dois meses, por exemplo, pessoas ligadas ao golfista australiano Greg Norman contataram o escritório de turismo brasileiro para obter informações sobre a região. O golfista, uma dos maiores ídolos esportivos de seu país, pretende navegar na Amazônia em seu iate no próximo ano."A morte de Blake vai assustar particularmente os iatistas", disse Pickard. Além disso, o assassinato do neozelandês deverá ser destaque da principais revistas internacionais de iatismo que deverão circular durante o maior evento anual do setor, o London Boat Show, que ocorrerá na capital britânica em janeiro próximo.

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