Jornais repercutem encontro de Cristina Kirchner e Lula

Imprensa destaca principais propostas de acordos comerciais, desde o setor agrícola até o energético

Marina Guimarães, da Agência Estado,

03 de outubro de 2007 | 13h24

A visita da primeira dama, senadora e candidata oficial para a Presidência argentina à Brasília é destaque dos principais jornais do país. "Guaraná com cafeína: energizante coquetel entre Cristina e Lula", titulou em sua capa o jornal Ámbito Financiero, que descreveu a ida da candidata ao Brasil com uma pitada de ironia. "Quase uma viagem à Madre Pátria (...) pelo menos para a mentalidade de vários de seus mentores, agora tão assustados - como antes frente ao império norte-americano - pela captação de empresas argentinas por parte do império brasileiro". O jornal ressalta as empresas argentinas vendidas para as brasileiras: Pérez Companc para a Petrobras; Quilmes para a Ambev; Grafa para Coteminas; Loma Negra e Alpargatas para a Camargo Correa; Swift para o Friboi; Quickfood para Marfrig e os desembarques da Odebrecht, Cyrela e Paquetá. O Ámbito diz ainda que além da foto com Lula, que Cristina quer conseguir para sua campanha, "talvez ela tenha que explicar a reticência do governo Kirchner para impedir que a Petrobras adquira a filial da Esso na Argentina". Para o jornal El Cronista, "as empresas brasileiras aguardam pacto de convivência de Lula e Cristina Kirchner". Segundo o jornal, o almoço que o presidente brasileiro vai oferecer à Cristina, "é considerado chave para o futuro dos investimentos brasileiros na Argentina". Acompanhada pelo ministro de Economia, Miguel Peirano, a candidata deverá "dar certezas sobre as ações que o governo tomará com empresas que operam nos setores sensíveis, (no caso a Petrobras que hoje compete com a estatal Enarsa pelos ativos da Esso)". O La Nación ressalta que Cristina buscará "algum gesto de apoio para sua campanha". "Embora vai estar apenas umas horas em Brasília, a visita aponta também a mostrar a intenção da candidata de aprofundar a relação com o sócio maior do Mercosul e transformá-la no eixo central da política exterior de seu eventual governo", opinou La Nación. O Clarín destaca que os 10 maiores empresários do país (aqueles que formam 40% do PIB brasileiro), escutarão a dissertação de Cristina. "Semelhante movimentação indica que a acolhida não será uma mera formalidade, e por razões óbvias, no Brasil tratam de dizer que a chegada da candidata é só protocolar, mas o governo brasileiro parte de uma convicção: a menos que ocorra algo fora de série, Cristina deverá ser a partir de 10 de dezembro a presidente da Argentina".

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