Jornais mais reflexivos para enfrentar a internet

Os jornais vão se tornar mais reflexivos e mais regionais para atender públicos que desejam informação mais aprofundada que as transmitidas pelos inúmeros canais de comunicação, entre os quais a internet, surgidos nos últimos anos. A avaliação foi feita pelo jornalista Ruy Mesquita Filho, durante palestra aos alunos da Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, nesta quarta-feira. Diante de um público interessado em saber os rumos dos meios de comunicação, o futuro da reportagem e das perspectivas profissionais para os estudantes, o jornalista disse acreditar que a democratização da informação já chegou, desde que os investimentos em veículos como canais de tv a cabo e internet tornaram-se viáveis a qualquer empreendedor. Mas como o mercado publicitário não comporta tantas opções, haverá uma depuração nos próximos anos, previu Ruy Mesquita Filho. Também participante do painel, o jornalista Fernando Portela lembrou aos estudantes que a profissão pode ser vista como uma missão, mesmo nos atuais tempos de crise, em que as grandes reportagens, como a que ele escreve sobre a Guerrilha do Araguaia, se tornem mais assuntos de livros do que publicações diárias. Mas não faltam temas. "O Brasil está mergulhado em grandes assuntos, como corrupção e negociatas", afirmou, ficando o caso atual da Receita Federal como um desafio aberto a jornalistas interessados em levantar informações. Após o debate, intermediado pelo historiador José Alfredo Vidigal Fontes, Ruy Mesquita Filho autografou exemplares de A Guerra, obra que reúne a cobertura da Primeira Guerra Mundial, feita por Júlio Mesquita, entre 1914 e 1918. Fernando Portela autografou exemplares de seus livros Guerra de Guerrilhas no Brasil: A Saga do Araguaia, e Allegro. Nesta quinta-feira, os jornalistas apresentam os livros aos alunos de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, onde também falam sobre o futuro do jornalismo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.