Jornais e revistas condenam críticas de Lula à imprensa na campanha eleitoral

Estadão, Folha, Globo e Veja se posicionaram de forma crítica; só IstoÉ foi na linha contrária

EFE,

26 de setembro de 2010 | 13h43

Os principais jornais e revistas do país condenaram hoje as críticas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez sobre o trabalho da imprensa nas eleições presidenciais do próximo domingo. "Lula e a candidata oficial têm-se limitado até aqui a vituperar a imprensa, exercendo seu próprio direito à livre expressão, embora em termos incompatíveis com a serenidade requerida no exercício do cargo que pretendem intercambiar", destacou a "Folha de S.Paulo" em um editorial intitulado "Todo poder tem limite".

 

O editorial remete a uma declaração de Lula, quem em um comício da candidata petista à Presidência, Dilma Roussef, afirmou que alguns meios de comunicação "são uma vergonha", pois, segundo ele, "se comportam como um partido político", mas não têm coragem para dizê-lo.

 

O presidente contestava informações que, nas últimas semanas, revelaram escândalos de corrupção no Ministério da Casa Civil, que até março passado era liderado pela candidata petista. Os escândalos custaram o cargo da sucessora de Dilma, Erenice Guerra, que acabou renunciando, pressionada pelas denúncias.

 

O editorial da "Folha" ressalta que "os altos índices de aprovação popular do presidente Lula não são fortuitos", assim como as pesquisas que apontam o claro favoritismo de Dilma para as eleições de 3 de outubro, graças ao carisma do governante. O jornal reconhece que isso resulta da gestão do atual Governo, que manteve "uma política econômica sensata" e "ampliou uma antes incipiente política de transferências de renda aos estratos sociais mais carentes", reduzindo a desigualdade social. No entanto, o editorial sustenta que "nem por isso seu governo pode julgar-se acima de críticas".

 

Na mesma linha se manifestou a "Carta ao Leitor" da edição desta semana da revista "Veja", um dos meios mais críticos a Lula. A publicação condena a "deformação" do ponto de vista do Governo, que atribui a "convicções de alguns que continuam ruminando a ideia totalitária do leninismo, segundo a qual Governo e povo se confundem e, portanto, a imprensa não tem o direito de criticar as autoridades". Segundo a "Carta ao Leitor", por denunciar os casos de corrupção na Casa Civil, a "Veja" e os grandes jornais do país foram tachados de "golpistas", porque a notícia poderia ter o "potencial para tirar votos da candidata oficial".

 

Opinião parecida foi manifestada pelo jornalista Merval Pereira, colunista do jornal "O Globo", quem na semana passada lançou o livro "O Lulismo no Poder", no qual analisa o que percebe como traços de autoritarismo do Governo do PT. Em sua coluna de hoje, Merval afirma que o recente caso de corrupção na Casa Civil "leva a crer que, ou presidente não sabe escolher seus assessores - o que coloca uma dúvida sobre a escolha de Dilma como sua candidata -, ou não consegue controlar sua equipe". "Lula é o sujeito mais enganado do mundo. Ou o que mais engana. Ou se acha capaz de enganar todo o mundo", critica Merval Pereira.

 

O jornal "O Estado de S.Paulo" também dedicou opinião sobre o assunto, em seu editorial "O mal a evitar", no qual declara apoio aberto ao candidato opositor José Serra, do PSDB. Para o periódico, Lula "tem o mal hábito de perder a compostura quando é contrariado" e "também todo o direito de não estar gostando da cobertura" que "quase todos os órgãos de imprensa" tem dado à "escandalosa deterioração moral do Governo que preside". "Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o 'Estado' apoia a candidatura de José Serra", por seus "méritos", "seu currículo exemplar" e "pelo que ele pode representar para a recondução do país ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos", indicou.

 

Na grande imprensa brasileira, o único veículo que apresentou hoje uma posição diferente foi a revista "IstoÉ", também em editorial. Em aparente alusão à imprensa, a revista diz que "diversos agentes envolvidos no processo eleitoral não deram ouvido e espaço à voz das ruas e a atacam de maneira visceral e virulenta pela opção seguida. Como se ela estivesse errando pelasimples razão de escolher".

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