Jornais dos EUA destacam protesto contra Bush no Brasil

A maioria dos jornais dos Estados Unidos destacou nesta sexta-feira o protesto realizado, na véspera, em São Paulo, contra a visita do presidente norte-americano, George W. Bush. A manifestação reuniu 10 mil pessoas e acabou com 18 feridos e seis detidos. A visita de Bush ao Brasil é a primeira parada de um tour que inclui também o Uruguai, a Colômbia, a Guatemala e o México. Jornais como o New York Times, The Washington Post, Los Angeles Times e USA Today tocaram no tema dos protestos, dizendo que "milhares" de estudantes, trabalhadores e ambientalistas concentraram-se em São Paulo para vaiar Bush. O encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi ofuscado por críticas à mensagem "positiva" e de apoio aos pobres que Bush busca levar à região. Várias reportagens apontam que Bush está sugerindo ao Congresso para 2008 corte no valor total de ajuda ao continente. "O orçamento que Bush mandou ao Congresso no mês passado propõe um corte de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,47 bilhão, uma redução de 8%", afirmou o The Washington Post. Em editorial, esta semana, o New York Times afirmou que a rixa entre os Estados Unidos e a Venezuela tem um aspecto positivo, que é voltar a atenção dos norte-americanos para a América Latina. O tom da cobertura tem sido crítico ao fato de Bush ter negligenciado a região desde os atentados de 11 de setembro de 2001, o que deu espaço para a crescente influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que tem a fama de dar mais ajuda à região que a Casa Branca. Etanol O principal jornal econômico dos Estados Unidos, The Wall Street Journal, classificou o acordo sobre etanol assinado nesta sexta-feira como "uma oportunidade perdida" devido ao protecionismo dos norte-americanos. O Congresso norte-americano estabelece uma tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos. Com isso, visa a proteger o próprio mercado, em que a produção de etanol a partir do milho tem custo mais alto. "Lula quer uma redução da tarifa e Bush concorda", afirmou o jornal em editorial. "Mas o lobby do milho no Congresso não vai ceder. Então, o sr.Bush terá que satisfazer as ambições comerciais com promessas de ´cooperação´ em pesquisa e de uma iniciativa liderada pelo governo sobre um mercado internacional para os biocombustíveis", acrescentou. "Duvidamos que os brasileiros fiquem impressionados", disse o Wall Street Journal. Bush vai se reunir novamente com Lula quando o brasileiro o visitar em Washington, na residência de Camp David, em 31 de março. Trata-se de uma recepção "íntima" que, para alguns analistas, busca reforçar o papel de liderança regional de Lula na América Latina e ofuscar o de Chávez. Lula já anunciou que vai se reunir com o colega venezuelano em Caracas após a visita de Bush.

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