Jornais devem aumentar relação com leitor, diz ANJ

Autorregulamentação é resposta da entidade a tentativas de fiscalizar o jornalismo; adesão às medidas é facultativa

26 de maio de 2011 | 23h00

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) apresentou nesta quinta-feira, 26, o Programa Permanente de Autorregulamentação, um documento com sugestões aos veículos para garantir a relação transparente com os leitores.

 

Discutido ao longo dos últimos meses na entidade, o novo instrumento sugere práticas como a publicação de cartas de leitores, reconhecimento de erros e a criação de conselhos editoriais - grupos que ajudam, em linhas gerais, a orientar a linha editorial do veículo.

 

"As ações serão adotadas de forma descentralizada, a critério de cada associado. Muitos dos veículos já mantêm várias das medidas relacionadas no programa", afirmou a presidente da ANJ, Judith Brito.

 

A autorregulamentação começou a ser discutida em agosto do ano passado, durante o Congresso Brasileiro de Jornais, numa espécie de reação à proposta ensaiada no governo Lula de criação de um conselho para fiscalizar o jornalismo. Ele também surge meses depois de iniciativas como a do senador Roberto Requião (PMDB-PR), de apresentar um projeto regulamentando o direito de resposta.

 

Para Judith, o Programa Permanente é uma mostra do compromisso dos jornais com a prática diária da liberdade. "Essa é mais uma demonstração de que não vamos aceitar nenhum tipo de interferência externa, de censura. Reforçamos com isso a independência do jornal."

 

O vice-presidente da ANJ e integrante do Comitê de Liberdade de Expressão, Francisco Mesquita Neto, completa: "A autorregulamentação tira a motivação do legislador de impor de fora para dentro algo que coíba a oportunidade dos veículos de se manifestarem".

 

Nesta quinta, representantes da ANJ votaram uma mudança no estatuto para que, a partir de agora, seja considerado como dever do veículo manter um programa que garanta a transparência com leitores e sociedade. Dos 50 representantes que participaram do encontro, dois votaram contra: Correio do Povo e Hoje em Dia.

 

O prazo para o desenvolvimento do programa e apresentação dos leitores será definido na próxima reunião da ANJ, prevista para este mês. A expectativa é de que os veículos tenham um ano para a apresentação de seu programa. Não está previsto nenhum tipo de sanção em caso de desrespeito a esse prazo. O formato do programa adotado por um veículo não será fiscalizado pela ANJ.

 

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