Epitacio Pessoa/AE
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Jornais debatem cobrança por conteúdo

Na abertura do Congresso da ANJ, jornalista do ‘New York Times’ define como bem-sucedido e inovador sistema ‘paywall’ na internet

Débora Álvares, de O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2012 | 22h29

Os veículos de comunicação do Brasil devem pensar logo em como cobrar pelo conteúdo digital que oferecem em sites, smartphones e tablets, prática conhecida como paywall. A avaliação foi feita ontem pelo gerente-geral de News Service do jornal The New York Times, Michael Greenspon, que participou do primeiro painel do 9.º Congresso Brasileiro de Jornais. O evento termina nesta terça-feira, 21, no Sheraton WTC Hotel.

Em sua palestra sobre o tema Construindo Novos Modelos de Negócios, Greenspon lembrou que o NY Times tem cerca de 500 mil assinantes que pagam, por algum dos três tipos de pacotes digitais oferecidos, US$ 20 por mês em média. O paywall adotado pelo jornal nova-iorquino se sustenta em quatro pilares: engajamento social, conteúdo em vídeo, móvel e internacional.

Para Greenspon, a cobrança pelo conteúdo digital, implementada no ano passado, deveria ter ocorrido antes. "Um total de 40% da nossa audiência se dizia disposta a pagar por algo. Um ano depois da cobrança, nosso modelo de assinatura digital se provou inovador", explicou. Mas ele advertiu que a mudança no modelo não pode implicar o abandono das premissas básicas do bom jornalismo: "Nós não fizemos isso e não vamos fazer. O jornalismo de qualidade é importante e deve ser mantido".

Convencido de que a internet muda os meios, mas não o conteúdo da informação, o ex-diretor da sucursal do Times em Washington Bill Kovach defendeu a adoção de um modelo colaborativo durante o painel Fundamentos do Jornalismo: por que continuam valendo nas novas mídias. Para Kovach, coautor de um clássico das escolas de jornalismo, Os Elementos do Jornalismo, Kovach acredita que os leitores devem ser tratados como participantes do fazer jornalístico. "O negócio sempre imagina as pessoas como consumidoras. As redações precisam lidar com leitores como parte do que está ocorrendo", afirmou. Dessa forma, a missão do jornalista passaria a ser filtrar e agregar a avalanche de dados para os cidadãos.

Ao longo do dia, vários painéis abordaram temas como a publicidade em um mercado multiplataforma; internet paga; o direito autoral em mídias digitais e a autorregulamentação.

Transparência. Liberdade de Expressão foi o tema de um painel moderado pelo diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto. Na exposição, a diretora de Prevenção da Corrupção da Controladoria-Geral da União, Vânia Vieira, apresentou um balanço da Lei de Acesso à Informação (LAI). Para ela, a nova lei apresenta alguns efeitos concretos. "A abertura de dados já vem mudando a relação do Estado com a Administração Pública", disse ela. Segundo ela, a lei ainda tem desafios a superar, como a confusão que os cidadãos têm feito em relação ao que cabe a órgãos federais responder e o que trata de informação pessoal. Coube ao diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, falar em outra mesa sobre os desafios do desenvolvimento e da gestão de talentos no ambiente multiplataforma. Para ele, os novos tempos de edição multimidiática colocam alguns desafios, em especial, de adaptação. "Uma das perguntas que ficam é como vou transpor meu treinamento de hierarquização e priorização de notícias, que antes eram guiados pela finitude e escassez de espaço, num local sem limites, onde eu decido o que publicar."

A migração para o multimídia, ressaltou Gandour, exigiu das empresas um novo modo de trabalhar que tem impactado diretamente no espaço físico das redações, com incorporação de novos profissionais, como programadores, instalação de novas estações de trabalho.

Um comitê dedicado a estratégias digitais abordou o tema "Internet não é grátis", que discutiu a relação custo x audiência do novo meio e teve, entre os participantes, o diretor executivo de Estratégia Corporativa do Grupo Estado, José Papa Neto.

No programa desta terça do congresso, um dos grupos analisará a autorregulamentação da mídia, a partir de uma avaliação do programa da ANJ para o setor.

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