Jornais atacam Google e cobram cooperação

Debate tenso encerra congresso mundial do setor; presidente da WAN diz que Google é cleptomaníaco

Ricardo Gandour, enviado especial do Grupo Estado,

03 de dezembro de 2009 | 11h49

 HYDERABAD, ÍNDIA - A Associação Mundial de Jornais (WAN) voltou a atacar duramente o Google e reclamou da falta de cooperação em resolver a questão dos direitos autorais no uso de notícias pelos chamados "agregadores" na internet, entre os quais o Google News é o líder absoluto. "Temos tentado sentar para negociar, mas o Google não tem colaborado. Enquanto isso, continua com sua cleptomania", disse nesta quinta-feira, 3, Gavin O'Reilly, presidente da WAN, na sessão de encerramento do 62º congresso mundial do setor. O'Reilly se dirigia a David Drummond, vice-presidente de assuntos jurídicos do Google, que participou do painel.

 

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Segundo O'Reilly, o Google tem sido "insistentemente convocado" a colaborar com a implantação de um software, criado pela WAN, denominado ACAP e que permite a um site noticioso controlar o uso de seu conteúdo por terceiros. "Vocês conversam aqui e ali, mas se recusam a sentar à mesa com a associação", disse.

 

"Vim a esse debate em missão de paz e desarmado", amenizou Drummond. "O Google não é o culpado. Os jornais é que não estão aproveitando todo o nosso potencial, e deveriam trabalhar mais próximos a nós", defendeu-se.

 

Visivelmente irritado, O'Reilly mencionou que recentemente o presidente mundial do Google, Eric Schmidt, disse em entrevista que "é um imperativo moral ajudar os jornais". E rebateu: "Ninguém aqui está falando em caridade, nem de certo ou errado. Estamos falando de leis, de copyright de conteúdos que, sejamos honestos, custa caro produzir". "O Google sempre fala no tráfego que eles geram para os sites dos jornais. Mas não seria um direito das empresas escolher o que querem pelo seu conteúdo, se é tráfego, pagamento ou algo diferente?", provocou O'Reilly. "Se o Google reconhece a legitimidade dos direitos autorais, pelo menos deveria ser a favor da implantação do ACAP. Não estamos falando de algo abstrato, é apenas a lei".

 

Drummond procurou contemporizar afirmando que, na visão de sua empresa, o buscador não está infringindo direitos. "Temos uma diferença fundamental aí. Não consideramos que pesquisar e organizar links seja quebra de direitos. Segundo ele, tem havido "decisões favoráveis" de alguns tribunais pelo mundo. "Não queremos dar uma mãozinha, queremos que todo mundo ganhe dinheiro". Mas Drummond admitiu que o Google "ainda não fez tudo o que está ao seu alcance".

 

A Coreia do Sul é um raro caso de não dominância do Google, que tem no país uma participação de mercado que não chega a 5%, enquanto 73% das buscas se dividem entre 5 buscadores locais. Ao apresentar esse quadro, Dae-Whan Chang, presidente da associação de empresas jornalísticas, procurou moderar: "Vocês deviam aproveitar que estão na capital indiana da alta tecnologia, e fazer aqui o Manifesto de Hyderabad pelo respeito aos direitos autorais. Temos que nos preocupar também em consolidar conceitos e valores para os mais novos, para as gerações que virão".

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