Pedro Amatuzzi/Sigmapress
Pedro Amatuzzi/Sigmapress

Jonas Donizette é eleito em Campinas com 57,69% dos votos

O petista Márcio Pochmann, indicado para a disputa pelo ex-presidente Lula, teve 42,31% dos votos

Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2012 | 22h09

CAMPINAS - O deputado federal Jonas Donizette (PSB) foi eleito neste domingo, 28, prefeito de Campinas - terceira maior cidade paulista - com 57,69% dos votos (315.484). O adversário Márcio Pochmann (PT), indicado pessoalmente para a disputa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve 42,31% (231.420 votos).

O desafio do novo prefeito da cidade será administrar uma dívida de R$1,2 bilhão, colocar os serviços e obras em dia e dar fim a maior crise administrativa, depois dos escândalos de corrupção na atual gestão, que terminaram com dois prefeitos cassados, em 2011 - Hélio de Oliveira Santos (PDT) e Demétrio Villagra (PT).

"A primeira tarefa será resgatar a credibilidade da política em Campinas. Vamos fazer um governo austero. Essa eleição foi um marco na vida política da cidade", afirmou Jonas em seu discurso de vitória.

Do ponto de vista político, a prefeitura de Campinas, que tem o terceiro maior orçamento do Estado (R$ 3,2 bilhões), vai virar vitrine para o PSB, partido que mais cresceu nessas eleições e sai fortalecido para as disputas eleitorais de 2014.

O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, - um dos presidenciáveis para 2014 - afirmou que Campinas "é cidade estratégica". "Nós, que já temos governos aprovados em outras partes do país, queremos ter a gestão de Jonas em Campinas como vitrine da nossa capacidade de fazer governos focados no interesse do povo", declarou Campos.

"O PSB sem dúvida sai ainda mais fortalecido. Campinas passa a ser a principal cidade administrada pelo partido em São Paulo", disse o prefeito eleito.

A disputa em Campinas, 14ª maior cidade do país, foi uma prévia para se medir a correlação de forças do PSB (base de apoio da presidente Dilma Rousseff) aliado com o PSDB contra o PT coligado com o PSD, em um colégio eleitoral com 758 mil votos.

"A presença do presidente Lula que tem um prestígio como liderança na eleição como foi em Campinas tem um peso, mas acho que o pesou mais foi a história do candidato", afirmou Jonas. Segundo ele, seu governo vai buscar apoio do governo Alckmin e da presidente Dilma. Ele ainda ressaltou o apoio dos partidos aliados, em especial o PSDB.

Jonas, único entre os favoritos que não teve o nome envolvido nos escândalos de corrupção na prefeitura, liderou as pesquisas durante toda campanha e manteve chances de vitória já no primeiro turno até o dia da votação. Jonas terminou a primeira etapa com 47% dos votos válidos contra 28%.

Com chances de vencer já no primeiro turno, o candidato do PSB evitou ataques diretos ao envolvimento de petistas com os escândalos de corrupção na primeira etapa da disputa. Já no segundo turno, os ataques entre os adversários aumentaram.

Sua candidatura passou a associar a aliança entre Pochmann e o candidato derrotado do PDT, o prefeito Pedro Serafim, a uma reedição da união entre PDT e PT, durante o governo Hélio, que terminou com os escândalos de corrupção.

Ao todo, 11 pessoas foram presas - entre eles, a ex-primeira-dama Rosely Santos, o vice-prefeito Demétrio Villagra (PT), que assumiu o cargo vago e também foi cassado, secretários e empresários - e 28 foram processados na Justiça por formação de quadrilha. Eles foram acusados pelo Ministério Público por um esquema de corrupção, fraudes em contratos e desvio de mais de R$ 30 milhões em recursos na prefeitura.

Novo quadro petista. Escolhidos por Lula para a disputa na cidade por não ter ligação com os petistas envolvidos no escândalo de corrupção, o PT considera que, mesmo perdendo as eleições, o desempenho de Pochmann foi um sucesso.

Nome pouco conhecido na cidade e novato nas urnas, o ex-presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começou com 1% a eleição em julho, levou a disputa para o segundo turno, quando agregou as maiores forças políticas, como o PMDB e o PDT, para terminar com 231.420 mil votos.

Parte do processo de renovação de quadros dentro do PT, Pochmann foi uma versão caipira da candidatura de Fernando Haddad, eleito prefeito em São Paulo. Ambos têm currículo e histórico acadêmico semelhantes, surfaram na onda da renovação de políticos nas grandes cidades, com boa imagem pública e com campanhas coladas nas imagens e nas boas avaliações de Lula e Dilma.

"Não me sinto derrotado. Não devemos nos sentir derrotados. Começamos esta campanha com 1%. E hoje superamos os 40%. Estamos fortalecidos, melhores e renovados" afirmou Pochmann após a derrota.

Aliado federal e estadual. Com a campanha em Campinas nacionalizada pelo PT, Jonas assumiu o discurso de que como prefeito terá boas relações com o governo federal, por seu partido, o PSB, integrar a base de sustentação da presidente Dilma, e com o governo estadual, por estar coligado com o PSDB, que indicou o vice, Henrique Magalhães Teixeira.

Jonas é discípulo e aliado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que tratou pessoalmente dos acordos políticos envolvendo a disputa em Campinas. Com a presença de tucanos, a disputa local foi polarizada pela rivalidade entre PT e PSDB.

Durante a campanha, Jonas prometeu unir programas federais com estaduais. Como no caso da habitação, onde ele prometeu 10 mil casas com recursos Estado, no programa Casa Paulista e ainda aumentar o financiamento do programa federal Minha Casa Minha Vida.

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