REUTERS/Amanda Perobelli (05/04/19)
REUTERS/Amanda Perobelli (05/04/19)

Joice reitera pré-candidatura em São Paulo e diz que Datena tem 'histórico' no PT

Em entrevista ao 'Estado', deputada diz não esperar apoio explícito do governador João Doria (PSDB) e prevê PT e PSB unidos em eventual 2º turno

Entrevista com

Joice Hasselmann, deputada federal pelo PSL-SP

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2019 | 10h50

Líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, a deputada Joice Hasselmann diz que o PSL está decidido a lançá-la candidata à prefeitura de São Paulo em 2020. "Não sou mulher de amarelar", diz. Ela afirma que houve um "pré-namoro" do partido com o apresentador José Luiz Datena - que recebeu convite de Eduardo Bolsonaro para ingressar no PSL e ser uma opção na disputa eleitoral do ano que vem -, mas associa o apresentador ao PT. 

"É um cara legal, gosto dele, mas o Datena tem um histórico de 23 anos de PT. Como você vai lançar como nome da direita um cara que tem um histórico dentro do PT. Mesmo tendo passado pelo DEM não deu para depurar."

Joice busca o consentimento de Bolsonaro para passar a trabalhar por sua eleição a prefeita. Do governador João Doria (PSDB), com quem se aliou em 2018, Joice afirma não esperar apoio explícito, já que o atual prefeito Bruno Covas, também tucano e candidato à reeleição, era vice de Doria. "Ele seria chamado de traidor", diz ela. O PSL apostará na polarização com a esquerda em 2020.

A senhora vai assumir a candidatura a prefeita de SP? 

O meu partido já assumiu.

Que vai ter algum candidato... 

Não. Que serei eu. O Luciano Bivar (presidente nacional do PSL) chamou um grupo de parlamentares e deixou claro que eu sou a candidata do PSL e que ele não abre mão. Aí me chamaram e disseram: ‘E aí? Você vai correr?’. E eu sou mulher de amarelar, rapaz? E agora os partidos estão me procurando para oferecer vice, para fazer aliança... A pressão está grande. Eu não disse que sim, nem que não. Mas é muito difícil escapar dessa, porque não tem nenhum nome da direita no cenário. Mesmo que você coloque outro nome no PSL, sem ter histórico de direita, vai ter mais do mesmo. O Márcio França (PSB), alguém do Haddad (PT) que eu adoraria que fosse ele mesmo. Tem o Bruno Covas (PSDB), que só Jesus na causa. O Doria vai tentar jogar ele para cima. Mas eu já falei para o João que não tem a menor possibilidade. O Bruno não representa São Paulo. E tem um problema: ele não foi eleito. Quem foi eleito foi o João.

E a senhora se dá muito bem com o governador.

Me dou muito bem com ele. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Entrando na campanha, eu não vou poupar o Bruno porque me dou bem com o Doria. Não há a menor possibilidade de isso acontecer.

O governador lhe apoiaria? 

Ele não pode, né? Ele seria chamado de traidor.

O Serra apoiou o Kassab em 2008 contra o Alckmin. 

E um fica chamando o outro de traidor até hoje, essa confusão. Eu não pediria isso a ele (Doria). Eu apoiei ele (Doria) de graça.

A senhora vai ser candidata ou tem outros nomes no PSL? 

Não tem outros nomes. Já houve um pré-namoro com o Datena, mas toda eleição ele faz isso. Diz que vai e não vai. É um cara legal, gosto dele, mas o Datena tem um histórico de 23 anos de PT. Como você vai lançar como nome da direita um cara que tem um histórico dentro do PT. Mesmo tendo passado pelo DEM não deu para depurar. E ainda há uma polarização no Brasil, então não adianta ter cara mais ou menos. Tem que ser um cara pra cá e outro pra lá. Hoje se você fizer uma peneirada no País todo, talvez a pessoa de direita sou eu. Que está atuando né, tem projeção... Tem gente mais de direita, mas que não tem projeção. Então estou bem alinhada com o que pensa o presidente.

O presidente Bolsonaro vai entrar na sua campanha? 

Ah, não sei... Claro, ele vai entrar nas campanhas que interessem a ele. Se eu for a candidata mesmo, se a gente alinhar, claro que vai, né? Até porque eu não vou ser candidata sem o aval dele. Não tem possibilidade. As pessoas me cobram muito: ‘você é o principal braço direito do presidente no Congresso, você vai deixar ele?’. Não, gente eu não vou deixar, eu faço quatro anos de mandato em dois. Eu trabalho 18 horas por dia todo dia. Se eu for tem que pensar nisso, se eu for tem que construir alguém para assumir o que estou fazendo, estou cuidando das duas Casas (Câmara e Senado).

Por que a preferência pelo Haddad? 

A minha preferência de embate é com o Haddad porque eu posso bater com a mão aberta, não preciso ter a mínima delicadeza. Posso ser a Joice trator. O Márcio França também, apesar de ele ser todo ensaboadão e tal.

Ele fez bons debates com o Doria ano passado. 

É, mas o Doria é lorde. A minha mão é bem mais pesada.

PSB e PT não comporiam uma chapa? 

Se fossem mais inteligentes fariam uma composição, porque aumentaria a força, mas como os dois têm os olhos grandes demais, o PT e o PSB, dificilmente alguém vai querer abrir mão no primeiro turno. Vão querer lançar e quem passar no segundo turno se junta.

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