Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Deputados citam de álcool a BBB na defesa dos jogos de azar

Para justificarem a legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho no Brasil, os deputados federais argumentaram que usuários podem apostar nas mais varias competições, incluindo o Big Brother Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 16h06

A votação que aprovou o texto-base da legalização dos jogos de azar, na madrugada desta quinta-feira, 24, foi marcada por discursos tão empolgados quanto inusitados contra e a favor do projeto de lei. Na sessão que dividiu a Casa em 246 votos favoráveis ante 202 contrários e três abstenções, deputados simpáticos à liberação citaram até o Big Brother Brasil - e as apostas informais que já ocorrem durante a exibição do programa - para defender seu ponto de vista. Nessa mesma linha, parlamentares alegaram que os jogos de azar trazem  “esperança” e estão no “DNA” das pessoas. 

O projeto rachou a base aliada do presidente Jair Bolsonaro (PL). De um lado, a ala mais liberal defende a legalização sob o argumento de aumentar a arrecadação da União e fomentar o turismo. De outro, a ala evangélica alega que o projeto traria prejuízos sociais ao País.

O relator do projeto, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), defendeu que a legalização deve ultrapassar o limite dos jogos esportivos a fim de permitir que a arrecadação da União avance em outros tipos de apostas. “Hoje existem 3 mil sites com apostas, com bingo on-line, cassino on-line, até Big Brother está sendo apostado nas plataformas digitais”, afirmou. 

O deputado Adolfo Viana (BA), líder do PSDB na Câmara, corroborou o posicionamento do relator e argumentou que “até no campeão do Big Brother hoje se pode apostar pelo aparelho de celular”. “Então, a discussão que acontece hoje no plenário desta Casa é justamente se queremos ter jogos formais ou se continuaremos na informalidade”, completou. 

Também defensor do projeto, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) comparou o reality show da Globo à Coca Cola e ao álcool, ao alegar que o Estado “não pode fazer leis para obrigar as pessoas a só fazer o que bom para elas”. “Senão, nós iríamos proibir a Coca-Cola, o Big Brother ou até o álcool. Nada talvez faça mais mal às famílias do que o próprio álcool. Não faz sentido dizer que vai ter lavagem de dinheiro, porque a lavagem de dinheiro está acoplada à ilegalidade, assim como a prostituição e o tráfico de drogas”, defendeu. 

Vice-líder do governo na Câmara, Giovani Cherini (RS) sugeriu que os jogos de azar deveriam ser tomados como “jogos de sorte”. “Eu sempre tenho esperança quando jogo, até porque isso está em nosso DNA. Nós jogamos desde o nosso nascimento: são 400 milhões de espermatozóides, e apenas um vence”. Ele também defendeu que o Big Brother é um tipo de jogo. “E a pessoa pode ganhar 1 milhão e meio de reais ou 2 milhões de reais em prêmio. E a população telefona, faz todo esse movimento e tem a sensação de ganhar alguma coisa”, afirmou. 

Cherini também disse não entender o posicionamento da bancada evangélica em querer barrar o projeto. “Eu não consigo entender, eu sou religioso também, sou praticante, mas não entendo o que tem a ver esse assunto com religião”, disse.

Por outro lado, a defesa da "família" foi um dos principais argumentos dos parlamentares contrários ao projeto. O deputado Sóstenes Cavalcante (União Brasil-RJ), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, acusou os jogos de azar de serem um “desastre para as famílias” “Ora, qual dos colegas não conhece uma família que destruiu todo o seu patrimônio, tudo o que tinha, porque desenvolveu a compulsão por essa desgraça chamada jogo de azar?”, perguntou.

A votação dos destaques ficou para esta quinta-feira, 24, e, logo depois, o texto seguirá para análise do Senado. O presidente Jair Bolsonaro já anunciou que pretende vetar o projeto.

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