Jobim volta a elogiar proposta de caças franceses

O ministro de Defesa, Nelson Jobim, reafirmou hoje em Buenos Aires que, na concorrência para a compra dos caças que vão renovar a frota de supersônicos da Força Aérea Brasileira (FAB), a proposta com maior chance de vencer é a que oferece transferência irrestrita de tecnologia.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

05 de outubro de 2009 | 20h51

Jobim afirmou que não viu as propostas melhoradas apresentadas na sexta-feira pela sueca Saab, a americana Boeing e a francesa Dassault, mas ressaltou que o "presidente Sarkozy disse que faria uma transferência de tecnologia irrestrita, enquanto que a Boeing afirmou que faria a transferência necessária".

Segundo ele, nas conversas que manteve com autoridades norte-americanas e com executivos da Boeing, deixou claro que havia "um desconforto" por parte do Brasil em relação à jurisprudência dos Estados Unidos sobre transferência de tecnologia.

Indagado sobre se a proposta da Boeing já estava descartada, Jobim afirmou que não porque quer ver "até onde os países chegam em suas ofertas de transferência de tecnologia". Mas ressaltou que é "evidente que a transferência de tecnologia deve ser absoluta e não a necessária, e quem deve decidir o que é necessário é o Brasil". Jobim reconheceu que há uma inclinação política brasileira pela proposta francesa. "Já temos uma parceria com a França e isso lhe dá vantagem", afirmou.

O ministro afirmou que "o Brasil, em hipótese alguma, é comprador de armas". "Depois da análise técnica das propostas, o que vai pesar na decisão do governo brasileiro será o índice e a confiabilidade das tecnologias", afirmou.

"O Brasil quer desenvolver sua tecnologia e a característica fundamental das bases das propostas é essa transferência tecnológica que os países possam oferecer ao Brasil", disse o ministro em entrevista coletiva à imprensa em Buenos Aires, onde realizou uma conferência sobre a "Estratégia Nacional de Defesa" brasileira.

"Eu não sou militar, sou advogado, tenho formação jurídica, presidi o Supremo Tribunal e tenho um defeito: trabalho com jurisprudência, com precedentes, e os precedentes americanos não são bons em matéria de transferência de tecnologia", disse.

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