Jobim vai listar compras da Abin

PF não periciou todos os equipamentos, afirma ministro

Everton Dantas, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, vai enviar até terça-feira elementos que comprovariam ter a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) adquirido equipamentos capazes de interceptações telefônicas. "Eu vou enviar até segunda, terça-feira para a CPI e para os outros elementos, todas as compras que foram feitas. Pelo menos umas cinco ou seis, alguns técnicos afirmam que aquilo tem capacidade de fazer interceptações." Ele não especificou que órgão seriam esses técnicos. "São pessoas conhecidas minhas." Para o ministro, o laudo da Policia Federal constatando que equipamentos da Abin não são capazes de fazer grampo não está equivocado, mas tem uma ressalva. "Está correto em cima dos instrumentos examinados." As declarações foram dadas anteontem, em Natal, logo após ele participar da inauguração do quartel-general da 1ª Força Aérea, instalado na Base Aérea de Natal (BANT). Jobim disse não ter ficado surpreso com o resultado do laudo da PF. "Os dados que nós temos são outros. Então nós, vamos enviar agora à CPI todos os elementos. E existe uma série de instrumentos que oferecem essa possibilidade. Pelo menos são informações de técnicos que examinaram os instrumentos que foram adquiridos."O ministro da Defesa disse que a questão do grampo não é o ponto principal. "O que está se discutindo na verdade é a questão relativa ao desvio de função. Ou sejam, nós tínhamos reconhecido a participação de agentes da Abin numa operação exclusivamente policial, o que é um desvio de função", afirmou. Para Jobim, o laudo também não é argumento suficiente para refazer a opinião que emitiu em setembro sobre o caso dos grampos, que resultou no afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. "Minha participação foi quando o presidente me chamou para participar de um processo decisório, enfim, dar a minha posição e ouvir a posição de cada um. E eu dei minha posição. E minha posição permanece a mesma."A PF avaliou equipamentos da Abin e chegou à conclusão de que não poderiam ter sido usados para interceptar uma conversa entre o senador Demóstenes Torres (DEM) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

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