Jobim teme descaracterização do projeto Calha Norte

Ministro diz que vai proibir liberação de recursos para emendas de parlamentares que não estejam vinculadas ao desenvolvimento auto-sustentável da Amazônia

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

15 Outubro 2007 | 00h00

Ao desembarcar ontem em Tabatinga, sétima parada da viagem de uma semana à Amazônia, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o Ministério da Defesa baixou portaria proibindo o atendimento de emendas parlamentares ligadas ao programa Calha Norte, se elas não estiverem vinculadas ao processo de desenvolvimento auto-sustentável da região. "É que as emendas que estavam sendo feitas acabavam perdendo o sentido infra-estrutural do projeto", afirmou Jobim, que visitou ontem os pelotões de fronteira de Vila Bittencourt e de Ipiranga, ambos na divisa com a Colômbia, no oeste do Amazonas."Começamos a ter emendas singulares, uma tendência a emendas paroquiais que não são vinculadas ao objetivo do Calha Norte", completou. O ministro disse ainda que apresentará relatórios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os problemas encontrados nos três primeiros dias de visita.O ministro prometeu ainda que, até o início de 2008, o governo corrigirá as falhas no atendimento à saúde - que levaram a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) a fazer, na sexta-feira, fortes críticas à Fundação Nacional da Saúde (Funasa). Um desses problemas, informado por um médico em São Gabriel da Cachoeira, foi um surto de malária que teria ocorrido por causa da falta de pulverização naquela área do Amazonas. Jobim comentou que a presença da ministra Dilma em parte da viagem foi importante por ela ter constatado que o Ministério da Defesa assume tarefas que não são dele - por exemplo, atendimento à saúde.Em Vila Bittencourt e Ipiranga, Jobim ouviu de alunos da escola da cidade versos falando sobre as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia - falta de água, de luz e atendimento médico. Mas chamou a atenção uma das crianças que, nos seus versos, disse que, apesar das dificuldades, todos podiam andar nas ruas sem preocupação, porque ali "não tinha bandido e nem bala perdida". Em Tabatinga, Jobim pegou nos braços Metralha, uma sucuri de cerca de seis metros, e foi apresentado ao macaco-aranha preto Bindá. Mais tarde, depois de assistir ao desfile em sua homenagem, Jobim ainda comeu larva, como fazem os soldados na selva, bebeu água em cipó e comeu frutas típicas da região.

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