Jobim rompe o silêncio e critica indicações do PMDB

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim rompeu o silêncio e criticou duramente, nesta quinta-feira, 22, a maneira como seu partido, o PMDB, está fazendo as indicações para os ministérios neste segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, o PMBD não tem programa nem propostas para essas pastas. "A discussão se dá (em torno) de pessoas, e não em torno de projetos e de modelos. Não se sabe, realmente, o que o PMDB pretende com relação à Agricultura nem com relação à Integração Nacional", alfinetou.Jobim fez as declarações após conceder palestra sobre reforma política para o Conselho Superior de Direito, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).Ainda nas críticas ao PMDB, Jobim também questionou os mecanismos das indicações que a legenda vêm fazendo ao governo Lula. E continuou: "Porque (o PMDB) não tem posições. E não tendo posições, as ações dos ministros serão a partir da perspectiva individual e também a partir das pressões originadas de seus eleitores". O ex-presidente do STF disse, também, que as indicações estão sendo feitas por Senado e Câmara, e diz não saber porquê essas indicações precisam ser de parlamentares. "Nos Estados Unidos, inclusive, é proibido os parlamentares serem ministros", argumentou.Parte do jogo políticoQuestionado se teria saído magoado do episódio da disputa pela presidência do PMDB (vencida pelo deputado paulista Michel Temer), Jobim desconversou: "Faz parte do jogo político, todo mundo que joga, joga neste sentido. Você não pode ´pessoalizar´ decisões e questões políticas, o defeito é quando você se emociona com as questões políticas." E citou a seguinte frase do falecido Ulysses Guimarães: "Emoção em política é toda combinada".O ex-presidente do STF afirmou, ainda, que as relações com o presidente Lula e o atual ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), "continuam boas, continuam excelentes, porque é uma questão meramente política e não pessoal".Ao falar da eventual disposição dos partidos em fazer a reforma política, Nelson Jobim voltou à carga contra o PMDB. "Creio que não tem discussão deste assunto (reforma política) dentro do PMDB. É lamentável." E destacou que se candidatou à presidência da legenda justamente para abrir espaço para essa discussão interna e também para questão de políticas públicas.Na avaliação do ex-presidente do STF, a reforma política talvez não saia este ano, mas que ela está madura e o debate terá de ser aberto. No seu entender, os partidos precisam comprar essa discussão, juntamente com o governo. "O entrave de toda essa reforma é que ela implica na alteração nas regras do jogo, e quem vai alterar são aqueles que estão jogando. Então, temos que encontrar mecanismos que possam dar, a esses que estão jogando, certos espaços de transição".

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