Jobim promete, mas Exército mantém tropas em área disputada

Armados, militares garantem posse de área que dizem que governo Cassol 'invadiu' no centro de Rondônia

Tahiane Stochero, do estadao.com.br,

24 de outubro de 2007 | 19h32

Três dias após ocuparem uma área de 24 mil metros quadrados no centro de Porto Velho, cem fuzileiros da 17ª Brigada de Infantaria de Selva continuam nesta quarta-feira de guarda, armados com metralhadoras e fuzis, em uma área nobre disputada entre o Exército e o governo de Rondônia. O comandante militar na Amazônia, general Augusto Heleno Pereira, diz que ainda não recebeu ordem alguma para retirar as tropas do local."Vi notícias de que o ministro Nelson Jobim teria prometido a senadores que iríamos sair da área, mas para mim não chegou ordem alguma. Vou tirar alguns homens nesta noite porque não preciso manter todo este grande efetivo lá, mas não tenho ordem alguma para sair. Vamos continuar mantendo a posse do terreno", garante o general Heleno. Na segunda-feira, após uma reunião com Jobim, o senador Expedito Júnior (PR-RO) divulgou que ministro da Defesa iria determinar a retirada dos fuzileiros, que ocupam a área desde a madrugada de domingo. As tropas de Heleno ocuparam militarmente o terreno, chamado de Flor de Maracujá 1, depois que o governador Ivo Cassol mandou a retomada das obras do Teatro Estadual, cercando com arame farpado toda a área. O general diz que o governo de Rondônia invadiu e cercou uma área que não é sua, e que ele poderia responder judicialmente por prevaricação caso não defendesse uma área da União que está sob sua guarda. "O governo resolveu ocupar e criar um fato consumado, ocupando um terreno que é nosso. A obra do teatro está embargada há 8 anos, parada. Ele mandou reiniciar as obras em algo que está em negociação", explica. O terreno está à venda desde 2006, quando o Exército o dividiu em três quadras: a primeira está sendo negociada com o Tribunal de Justiça de Rondônia; na segunda, o governo de Rondônia começou a construir um teatro em 1997 - quando iniciou as negociações para comprar a área -, e a terceira está sendo vendida ao Ministério Público do Trabalho. Cassol anunciou no início do ano que retomaria as obras e que buscava junto ao Planalto uma solução troca de imóveis, para que pudesse encerrar a crise que se arrasta há oito anos, quando a construção do teatro foi embargada pela Justiça. Na última semana, durante a visita de Jobim à Amazônia, Cassol pediu ao ministro a doação do terreno ao Estado de Rondônia.   Recursos empenhados O terreno está praticamente vendido para o Ministério Público do Trabalho e, o montante da transação, empenhado no orçamento militar da Amazônia para 2008. O Exército pretende construir casas para os soldados e sargentos. "Tenho um déficit na Amazônia de 1.700 homens que ganham pouco. Se eu puder construir as casas com o dinheiro, isso vai ajudar muito. O dinheiro só pode ser empregado para a construção de patrimônio da União e já estava empenhado nisso. Mas se o ministro ou o governo decidirem outra coisa, através de alguma negociação, eu vou cumprir, é claro. Mas para mim não chegou ainda ordem alguma", afirma o general. Heleno informa que agora o Exército irá cercar o terreno e que só não fez isso até hoje porque nunca se preocupou com o risco de uma "invasão" deste tipo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.