Jobim nega corrida armamentista na América do Sul

A América do Sul tem o direito defortalecer suas Forças Armadas, mas não está promovendo umacorrida armamentista, disse na segunda-feira o ministro daDefesa, Nelson Jobim, que está na Venezuela para discutir acriação de um conselho regional de defesa. Num momento em que os países aproveitam os preços elevadosdo petróleo, dos metais e dos produtos agrícolas para se armar,Jobim disse que a América do Sul precisa de poderio militarpara conquistar influência no mundo. "Não há corrida armamentista na América do Sul. Éimportante que os países tenham armas. A projeção do poder daAmérica do Sul depende das suas forças dissuasivas de defesa",afirmou Jobim após encontro com o presidente venezuelano, HugoChávez, um inimigo dos EUA que usa o dinheiro do petróleo paramodernizar suas forças. De forma equivalente, Brasil e Chile também aproveitam ofaturamento das suas commodities agrícolas e minerais parainvestimentos bélicos, enquanto o Haiti e outros países pobresda América Central tem dificuldades até para adquirir alimentose energia, cujos preços atingem recordes. A Venezuela, que é membro da Opep (Organização dos PaísesExportadores de Petróleo), comprou recentemente jatos e riflesrussos. O Brasil pretende adquirir um submarino nuclear paraatualizar suas Forças Armadas, que são grandes, mas têmequipamentos obsoletos. Alguns analistas temem que os maiores investimentosmilitares e as diferenças políticas entre Venezuela e Colômbialevem a uma corrida armamentista desestabilizadora na região. O Brasil aspira a uma vaga permanente no Conselho deSegurança da ONU. Jobim propôs inicialmente a criação doconselho regional de defesa durante a crise protagonizada emmarço por Colômbia e Equador. Jobim disse que a intenção não é dar capacidade operacionalao grupo, e sim a possibilidade de coordenar as políticas dedefesa. O gasto militar da Venezuela atingiu 1,92 bilhão de dólaresem 2006, aumento de 67 por cento em relação a 2003, segundo aconsultoria sueca Sipri. Já os gastos militares brasileiros cresceram 13 por centodesde 2003, segundo a consultoria, atingindo 13,5 bilhões dedólares em 2006. Finalmente a Colômbia, que recebe ajuda militar dos EUA naluta contra rebeldes marxistas e narcotraficantes, gasta maiscom armas do que seus vizinhos em termos de proporção do PIB. Jobim, que nesta semana vai a Guiana e Suriname, dissetambém que pretende visitar todos os demais países da região,da Argentina à Colômbia, para promover o conselho regional dedefesa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.