Jobim garante negociação com militares

Segundo ministro, diálogo sobre reajuste da categoria será retomado logo após a recomposição do Orçamento

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

22 Janeiro 2008 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu ontem a retomada das negociações com o governo para garantir o aumento salarial dos militares, "logo após a recomposição do Orçamento". Por causa do fim da CPMF, o governo estuda cortes de R$ 20 bilhões na proposta orçamentária de 2008 e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tem dito que não pode falar em reajuste de servidor antes de equacionar as perdas com o fim do imposto do cheque.O relator do Orçamento da União no Congresso, deputado José Pimentel (PT-CE), promete para a segunda semana de fevereiro um novo relatório, com o corte de R$ 20 bilhões. "O termo do reajuste dos militares está mantido. Creio que o Orçamento se recomporá na primeira quinzena de fevereiro e logo depois disso retomaremos a negociação", afirmou Jobim.O ministro negou que tenha condicionado sua permanência no cargo à garantia de que os militares terão reajuste salarial. "Estou aqui para fazer soluções e não para criar problemas", afirmou. Ele reclamou que "há uma certa irresponsabilidade" em notícias como a de que deixaria o cargo se não obtivesse do governo a garantia de aumento dos militares. Jobim não citou o índice de reajuste que está em estudo pelo ministério. Em 31 de outubro, em uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, o ministro comentou com os deputados que o reajuste poderia chegar a 37% e ser pago em duas etapas.Na ocasião, chegou a dizer que mesmo com o reajuste "um oficial em fim de carreira ainda receberia menos do que um juiz substituto da Justiça Federal em início de carreira". E reclamou que o discurso de parte dos parlamentares em favor do corte radical de gastos prejudicava a discussão sobre o reajuste.INVESTIMENTOSSegundo adiantou o Estado no dia 15, Jobim já assegurou que os R$ 130 milhões destinados ao programa nuclear brasileiro em 2008 estão preservados. Ele relatou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "reafirmou a garantia de manutenção dos meios para o bom andamento do programa nuclear". O processo envolve o prosseguimento da investigação tecnológica do Centro Aramar, que a Marinha mantém em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo, onde são construídas as ultracentrífugas destinadas a enriquecer o urânio que serve de combustível para reatores geradores de energia.O centro cuida dos planos de criação dos sistemas compactos de propulsão nuclear para um submarino de ataque. O projeto foi resgatado em 2007. Outro projeto de Aramar é a construção, até 2010, de uma usina própria para produzir até 40 toneladas por ano de gás de urânio, a última etapa do complexo ciclo do combustível nuclear que o País ainda não domina.

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