Jobim desafia Jucá e diz que demissões continuam

Ministro reage à ideia de emenda que impõe escolha de militar para comandar Defesa e repete que não interromperá enxugamento da Infraero

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Armado de ironias, o ministro Nelson Jobim reagiu às declarações do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que anunciou a intenção de apresentar uma proposta de emenda constitucional pela qual apenas militares poderão comandar o Ministério da Defesa."O senador tem o direito de apresentar a emenda que quiser e bem entender. A questão não é apresentar a emenda. A questão é aprová-la", disse o ministro, ontem, em entrevista no Itamaraty. Indagado se a reação de Jucá não poderia ser um problema para o governo, pois o PMDB integra a base aliada, o também peemedebista Jobim explicou: "Não vamos confundir o partido com integrantes do partido." Jucá está irritado com a forma, que chamou de "truculenta", com que o ministro da Defesa demitiu seus apadrinhados políticos na Infraero - o irmão Oscar Jucá e a cunhada Taciana Canavarro. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, ontem tentava apaziguar os ânimos dos líderes peemedebistas - que ameaçam retaliar o governo em votações no Congresso."O episódio está superado", tentou amenizar Múcio. Em reunião na segunda-feira com Jobim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou as medidas, mas pediu que agisse com mais cuidado, conversando com os parlamentares e avisando-os antecipadamente dos afastamentos e seus motivos. A próxima lista de demissões sairá na semana que vem. A maior parte delas, no entanto, será de militares, que deverão ser simplesmente afastados ou retornar à Força Aérea. Está previsto o afastamento de Mônica Infante Azambuja, ex-mulher do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves.REPERCUSSÃOJobim repetiu que não haverá recuo no cronograma de enxugamento da Infraero, que prevê 98 demissões até o meio do ano. Desse total, 25 já foram efetuadas. Para a última leva ficarão os técnicos lotados no departamento de engenharia e meio ambiente. A empresa procura alguma forma de mantê-los, já que seus serviços são classificados como essenciais.Indagado se previa a reação de seu partido quando autorizou demissões de apadrinhados na Infraero, Jobim respondeu: "Para mim é absolutamente irrelevante esse ponto. Vou fazer o que se tem de fazer e pronto."Ele disse que nos próximos dias, quando a empresa der sequência ao processo, ele vai comunicar antecipadamente a demissão aos interessados.

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