Jobim defende Renan e pede mais agilidade para encerrar ?problema?

Ministro diz ter feito visita de ?cortesia? ao senador um dia após nova denúncia

Fabíola Salvador, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2003 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não tem intenção de renunciar ao mandato, mas defendeu que seu processo termine o mais rápido possível. No sábado, Jobim foi à casa de Renan, onde conversaram sobre seu caso no Conselho de Ética do Senado, com a presença do advogado do senador, Eduardo Ferrão. Depois de participar da cerimônia de Troca da Bandeira, por conta da Semana da Pátria, na Praça dos Três Poderes, o ministro contou que o senador está "cansado" e "ansioso" para ver a situação resolvida o mais rápido possível. Jobim concordou com Renan e disse que o impasse sobre sua situação política tem que acabar."É preciso resolver logo esse problema porque, caso contrário, nós prolongamos e prejudicamos o andamento dos trabalhos", afirmou. O ministro disse que o Senado precisa fazer os julgamentos necessários e encerrar o "problema".Jobim disse que não tinha lido sobre as novas denúncias que envolvem o senador, dessa vez com o suposto recebimento de propinas, segundo denúncias do advogado Bruno Miranda. Mas Jobim afirmou que os políticos têm suas "agonias". Renan é acusado de participar de um esquema para arrecadação de dinheiro junto a ministérios controlados pelo PMDB. "As agonias do senador são grandes, ou seja, a cada dia elas se renovam e se agravam", completou.Jobim sinalizou que o presidente do Senado não tem a intenção de renunciar. "Ele está confiante no procedimento político. Político nenhum se entrega. Não há a menor possibilidade de um político se entregar", disse o ministro ao ser questionado se o senador estava com medo de ser cassado.Na conversa de sábado, Renan disse que estava em dúvida sobre recorrer ou não ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma possível decisão desfavorável no plenário do Senado e pediu a opinião de Jobim. O ministro respondeu que não poderia opinar sobre o assunto. "Não conheço o procedimento, o processo e, nesse caso, ou a gente participa do procedimento ou não. Não há como opinar externamente sobre isso."Ele disse que a conversa com Renan teve caráter de cortesia, sem o objetivo de ajudar juridicamente o senador, alvo de três representações por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. Jobim é um dos mais conceituados advogados do País e já presidiu o Supremo Tribunal Federal (STF)"O senador foi muito leal comigo quando houve a disputa no PMDB e eu não poderia deixar de fazer a visita", afirmou, referindo-se ao processo de sucessão presidencial no PMDB, quando Jobim chegou a ser pré-candidato, mas por falta de apoio político acabou desistindo, facilitando a reeleição do deputado Michel Temer (PMDB-SP).MENOS UMADerrotado em todas as decisões do Conselho de Ética, Renan conta com a derrubada de uma das representações contra ele, a que o acusa de ter atuado politicamente junto ao INSS e à Receita Federal para reduzir o valor de multas impostas à Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que estava prestes a fechar.Escolhido relator pela líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC), o senador João Pedro (PT-AM), mesmo sem revelar seu voto, dá indícios de que vai mandar arquivá-la, ao defender que "há uma manifestação política de que esta matéria não tem força, não tem sustentação". O senador também sinaliza em direção ao arquivamento quando afirma que a "opinião pública brasileira trabalha a partir da mídia". "Mas existe um rito técnico de que nós precisamos assumir nossa responsabilidade. Não podemos tomar uma decisão de forma açodada."COLABOROU ROSA COSTA

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