Jobim defende que quilombolas de Alcântara sejam transferidos

Ministro quer ampliar área de lançamento de foguetes do País; comunidades seriam alocadas na mesma região

Agência Brasil,

01 de julho de 2009 | 16h52

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta quarta-feira, 1º, a ampliação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em direção às áreas destinadas a comunidades quilombolas. Segundo ele, Alcântara está seriamente vinculado à estratégia de defesa nacional. "Esta é uma questão internacional e não podemos ser ingênuos. Há outros países interessados em não deixar que o Brasil seja incluído no fechado círculo dos países lançadores de foguetes", disse o ministro.

 

As declarações do ministro foram feitas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. "Como está, o CLA terá apenas três bases de lançamento. Mas se nossa proposta prevalecer, poderemos aumentar esse número para 15", completou.

 

A base de Alcântara, destacou Jobim, tem uma série de vantagens em relação aos principais centros mundiais de lançamento. "É o mais amplo cone de lançamento do planeta. Não há, no mundo, nenhum centro de lançamento com tamanho ângulo de abrangência, e isso implicará, para o País, em um baixíssimo custo para lançamento de foguetes."

 

O ministro lembrou que a área destinada ao CLA era, em 1983, de 62 mil hectares e que, desde 1991, após a apresentação de um relatório antropológico sobre a comunidade quilombola da região, essa área baixou para 8.713 hectares.

 

"Vamos propor que o CLA aumente em 11.287 hectares, e que os dois mil habitantes da região sejam transferidos para uma área próxima, de 66.713 hectares, onde já existem 1,8 mil habitantes quilombola. Essa é a proposta que tenho defendido junto ao presidente Lula", disse. "Não podemos perder essa expansão [para 15 bases de lançamento]", enfatizou.

 

Para convencer os senadores de que a mudança resultará em benefícios para as comunidades, o ministro apresentou algumas estruturas de assentamento já destinadas a outros quilombolas. "É uma questão de responsabilidade. O que foi feito pelas Forças Armadas junto a essas comunidades resultou em melhoria de suas condições de vida. A questão, então, é saber qual é o custo benefício. Podemos ter 15 bases no melhor ponto do mundo para lançamento de foguetes", afirmou.

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