Jobim defende que processo sobre Renan acabe logo

Ministro diz que visitou senador para prestar solidariedade, mas que preferiu não dar conselhos

FABÍOLA SALVADOR, Agencia Estado

02 de setembro de 2007 | 13h36

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não tem intenção de renunciar ao mandato, mas defendeu que seu processo termine o mais rápido possível. No sábado, 1, Jobim foi até a residência de Renan onde conversou sobre seu caso no Conselho de Ética do Senado, com a presença, inclusive, do advogado do senador, Eduardo Ferrão.  Veja também: Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação Cronologia do caso RenanNova denúncia: Renan tem de explicar propinas  Depois de participar da cerimônia de Troca da Bandeira, por conta da Semana da Pátria, na Praça dos Três Poderes, o ministro contou que o senador está "cansado" e "ansioso" para ver a situação resolvida o mais rápido possível. Jobim concordou com Renan e disse que o impasse sobre sua situação política tem que acabar. "É preciso resolver logo esse problema, porque caso contrário nós prolongamos e prejudicamos o andamento dos trabalhos", afirmou. O ministro disse que o Senado precisa fazer os julgamentos necessários e encerrar o "problema". Jobim disse que não tinha lido sobre as novas denúncias que envolvem o nome do senador, dessa vez com o suposto recebimento de propinas, segundo denúncias feitas às revistas Época e Veja pelo advogado Bruno Miranda. Mas Jobim afirmou que os políticos têm suas "agonias". Renan é acusado de participar de um esquema para arrecadação de dinheiro junto a ministérios controlados pelo PMDB. "As agonias do senador são grandes, ou seja, a cada dia elas se renovam e se agravam", completou. Jobim sinalizou que o presidente do Senado não tem a intenção de renunciar. "Ele está confiante no procedimento político. Político nenhum se entrega. Não há a menor possibilidade de um político se entregar", disse o ministro ao ser questionado se o senador estava com medo de ser cassado.Na conversa de sábado, Renan disse que estava em dúvida sobre recorrer ou não ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra uma possível decisão desfavorável no plenário do Senado e pediu a opinião de Jobim. O ministro respondeu que não poderia opinar sobre o assunto."Eu não posso opinar. Eu não conheço o procedimento, o processo, e, nesse caso, ou a gente participa do procedimento ou não. Não há como opinar, digamos, externamente sobre isso", contou. Ele disse que a conversa com Renan foi de cortesia, sem o objetivo de ajudar juridicamente o senador, que é alvo de três representações por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. "O senador foi muito leal comigo quando houve a disputa no PMDB e eu não poderia deixar de fazer a visita", afirmou, referindo-se ao processo de sucessão presidencial no PMDB, quando Jobim chegou a ser pré-candidato, mas por falta de apoio político acabou desistindo, facilitando a reeleição do deputado federal Michel Temer (PMDB-SP). Jobim disse que visitou Renan para levar "solidariedade e cortesia", inclusive porque eles são integrantes do mesmo partido. O ministro, um dos mais influentes junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi flagrado saindo da casa de Renan ao lado do advogado do senador, Eduardo Ferrão. No sábado, o ministro disse que não deu conselhos a Renan, apesar dos pedidos do senador. Jobim é um dos mais conceituados advogados do País e já presidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), além de ter ocupado outros cargos públicos. "Não me cabe dar conselhos. Além disso, ele está muito bem assessorado por um ex-aluno meu", afirmou. "Não há necessidade de conselhos. Ele sabe o que está fazendo", insistiu o ministro. Jobim avaliou que a cassação de Renan é uma decisão exclusiva do Congresso Nacional e que o assunto tem que ser tratado na área política. "Não cabe ao Executivo e o presidente tem dito que não cabe a nós, do Executivo, fazer isso", afirmou.

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