Jobim defende obra, militares boicotam evento

Apesar da insatisfação das Forças Armadas, ministro garante a Lula que não haverá reação contra livro

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Brasília - Mesmo diante da insatisfação dos militares, que não compareceram à cerimônia de lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, no Palácio do Planalto, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a obra trata da "honestidade histórica" e, numa citação ao ex-deputado Ulysses Guimarães, afirmou: "Não há nada mais teimoso do que os fatos."  Leia a íntegra da obraJobim prometeu que os militares não reagirão ao lançamento do livro. "Na condição de ministro de Estado da Defesa, afirmo com absoluta tranqüilidade que estamos em um processo efetivo de conciliação e as Forças Armadas recebem este ato como absolutamente natural. Não haverá indivíduo que possa a isto reagir e, se houver, terá resposta", declarou, sob aplausos da platéia. Nas Forças Armadas, o mal-estar é imenso. Mas nenhum oficial-general da ativa quis se pronunciar. Eles aguardam a repercussão dos fatos. Nos bastidores, porém, não escondem a revolta com a decisão de Lula de promover este tipo de cerimônia, que classificaram como "afronta" às Forças Armadas, além de só contar "um lado da história". Houve quem lembrasse que a realização da cerimônia foi a única fórmula encontrada pelo governo para criar um fato novo e desviar a atenção do escândalo do mensalão.?ANSIEDADES?Jobim lembrou que, de um lado, estavam "as ansiedades lógicas e distintas das famílias e, do outro, os interesses do Estado brasileiro". Para Jobim, "a publicação representa a continuidade de um processo que tem compromissos com o futuro, fundado em fatos do passado". "Os fatos do passado autorizam a construção do futuro e, se estes fatos não são conhecidos, as nossas ações são falsas e falaciosas. Não há falácia quando se trata de questão de Estado", declarou ele, explicando que "não se trata de questão do governo, mas de Estado". "Tudo está sendo feito exatamente na construção de um grande acerto de contas deste país com o seu futuro e todos nós, fardados ou não, temos um compromisso com o povo e a história do Brasil."Em seu discurso de improviso, Jobim narrou como foi a negociação para criar a lei dos desaparecidos políticos, quando era ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso. Disse que isso foi fruto de "uma grande construção" e contou como foi a discussão, na época, com o então ministro do Exército, Zenildo Lucena, e o Alto Comando da Força da época, quando houve demonstração de um "princípio de reconciliação e pacificação nacional".Jobim afirmou, por meio de sua assessoria, que os comandantes das Forças nem haviam sido convidados para o lançamento. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos informou que os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica haviam sido convidados para a solenidade.

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