Jobim busca na França ''''aliança estratégica''''

Ministro condiciona negociação a transferência de tecnologia

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

28 Janeiro 2008 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que sua viagem à França para discutir parcerias na área militar tem sentido bem mais amplo que simplesmente buscar condições de reaparelhamento das Forças Armadas. "Não estamos aqui para comprar, mas para estabelecer uma relação maior que a de comprador e vendedor. Queremos uma aliança estratégica para remodelar o Plano Estratégico Nacional de Defesa", disse ontem, na residência oficial da Embaixada do Brasil em Paris.Na visita oficial, os dois países devem assinar acordos de transferência de tecnologia envolvendo, entre outras áreas, a construção de submarinos nucleares no Brasil e a aquisição de caças Rafale, dentro do plano de reequipamento. "No levantamento técnico que realizamos ficou evidente que a França tem maior disponibilidade para transferência de tecnologia", explicou Jobim.Prova do interesse francês na aliança estratégica é o convite do presidente Nicolas Sarkozy para que a comitiva brasileira participe de reunião no Palácio do Eliseu, amanhã à tarde. Normalmente, ela seria recebida pelo ministro da Defesa, Hervé Morin. Segundo Jobim, em conversa telefônica com o presidente Lula, Sarkozy mostrou interesse na intenção do Brasil de remodelar as Forças Armadas.O exemplo mais avançado da parceria seria a construção de submarinos nucleares de defesa no Brasil. Hoje, Jobim recebe Jean Poimboeuf, presidente do DCNS - estaleiro responsável pela construção dos submarinos atômicos da frota francesa. No dia seguinte, vai à base naval de Toulon visitar um desses submarinos. No mesmo dia, um acordo - cujos detalhes não foram divulgados - será assinado com o ministro Morin. Brasil e França mantêm um tratado que prevê acesso a tecnologias sensíveis."Já dominamos o ciclo de produção do combustível para propulsão de submarinos nucleares. Não é isso que nos preocupa", disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que integra a comitiva. O objetivo, explicou, é produzir cascos e recheio cibernético num estaleiro no Rio e, em prazo e local ainda não definidos, em outro a ser construído. Por hora, segundo o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, a França acena com a possibilidade de transferir tecnologia para produção de um submarino convencional e, em prazo ainda indefinido, de embarcações nucleares.Quanto à licitação de compra dos caças, Jobim reforçou que a disposição de transferir tecnologia será determinante. "Não havendo transferência de tecnologia, o negócio não nos interessa." Nesse sentido, admitiu que a francesa Dassault, produtora dos Rafale, pode ter seu caminho "facilitado" com um eventual aprofundamento de sua parceria com a Embraer.Ele contou que a construção no Brasil dos Rafale será um dos temas discutidos nas reuniões em Paris. A comitiva terá a oportunidade de conhecer os Rafale na sexta-feira, na base de Saint-Exupéry, na cidade de Saint-Dizier, última escala da viagem pela França. Na próxima semana, Jobim estará na Rússia, para ver outro concorrente da futura licitação, o caça russo Sukhoi Su-35.

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