Jobim bate Tarso na escolha do nome para STF

Ministro da Defesa garante seu favorito e desmonta tentativa de petistas de aumentar influência sobre Lula

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Brasília - Nos bastidores da indicação de Carlos Alberto Menezes Direito para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), setores mais à esquerda do PT, tendo à frente o ministro da Justiça, Tarso Genro, travaram uma batalha política com o PMDB do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e saíram derrotados.Os petistas, que queriam emplacar o advogado Roberto Caldas no STF, centraram fogo no perfil conservador do candidato de Jobim, mas a disputa real era outra. Estava em jogo o poder de influência sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, nesta queda-de-braço, aliados de Tarso admitem que o que mais doeu no PT foi o fortalecimento de Jobim como interlocutor de Lula, e não a derrota na indicação."O episódio fortalece Jobim demais, num momento de fragilidade extrema do PT", afirmou o vice-líder do governo no Congresso, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), referindo-se ao "golpe" da abertura de processo contra expoentes do partido no caso do mensalão. "De certa forma, o episódio do mensalão tirou o PT de combate", avaliou o deputado. Para Pinheiro, Jobim também ganha força no Planalto na medida em que gerencia a crise aérea. ANGÚSTIAS"Agora vão ter de selecionar as angústias. O PT está em uma fase em que primeiro precisa se recompor, para depois tratar dessa angústia da baixa capacidade de influência sobre o presidente Lula, até numa escolha de ministro do Supremo", aconselhou Pinheiro. A questão do baixo poder de influência no Planalto vai além dos limites do PT e contamina setores progressistas da base aliada.Na escolha de Direito para a vaga pesaram também a pressão do PMDB, do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ), que queria ter um de seus ministros no Supremo.Um dos problemas é que os petistas não fecharam em torno de Roberto Caldas e, por isso mesmo, não houve deliberação partidária em torno do perfil mais adequado para o Supremo. Ainda assim, um dirigente do PT considera que o resultado da queda-de-braço entre Tarso e Jobim foi um "duro golpe" para a esquerda petista, que buscava ganhar força e prestígio junto a Lula.Segundo ele, a meta era "começar uma articulação mais ampla" e "resgatar as raízes históricas do partido", já com vistas a uma candidatura petista à sucessão de Lula, em 2010. "Infelizmente, quem ganhou a parada foi Jobim", lamentou.

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