Jobim avalia que plano não criará conflito com índios

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, não acredita que a decisão de construir os novos pelotões de fronteira crie polêmica com os índios, apesar de muitas das unidades ficarem em reservas indígenas. "Quem vai reclamar são as ONGs (organizações não-governamentais). Índio não reclama", disse o ministro ao Estado. "Vamos começar com os postos de fronteira do lado direito, chegando até Forte Príncipe da Beira (RO), percorrendo inclusive Tiriós, que passa pela Raposa Serra do Sol", afirmou Jobim, referindo-se a uma das áreas mais polêmicas e cuja demarcação está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).Segundo o ministro, será necessário dobrar o efetivo da região, mas, em uma primeira etapa, ele será ampliado de 25 mil para 30 mil homens. Além das unidades do Exército, o planejamento prevê que essa expansão também atinja os postos da Marinha e da Aeronáutica. O problema é o tamanho do investimento, que exige um cronograma de até nove anos para a instalação dos pelotões. "É necessário criar um sistema logístico brutal, já que é preciso carregar tudo para lá", lembrou Jobim. "Até pedra vai de avião."Ao defender a tese de que o reforço tem de ser não apenas nas fronteiras, mas também nos rios, Jobim explicou que, desde a aprovação da Lei do Abate pelo Congresso, o movimento do tráfico feito pelo ar foi reduzido e transferido para as vias fluviais, aumentando a entrada de drogas pelos chamados "rios penetrantes". O Ministério da Defesa está, por causa disso, articulando o reforço dos postos da Marinha nesses rios.No plano de proteção à Amazônia, Jobim defende ainda a regularização fundiária e o controle das entidades que operam na região. "Nós temos uma série imensa de ONGs na Amazônia, sem nenhum controle." Ele admite que algumas trabalham em parceria com o Exército. "Mas outras a gente nem sabe o que fazem", ressaltou. A única medida adotada no ano passado, em nome desse controle, foi a obrigação de as ONGs obterem registro e autorização do Ministério da Justiça para operar na Amazônia.

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