Jobim anuncia ajuda a quilombolas no Rio

Comunidade, na Ilha de Marambaia, briga com a Marinha pela posse da terra

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou ontem que apresentará na próxima semana aos ministros Edson Santos (Igualdade Racial) e Altemir Gregolin (Aquicultura e Pesca) um plano de recuperação da Escola Nacional de Pesca Darcy Vargas, fechada desde 1971, e das moradias na comunidade quilombola da Ilha da Marambaia, na Baía de Sepetiba, em Mangaratiba, litoral sul do Rio. "As pessoas querem água, luz e casa. Isso nós vamos conseguir", disse Jobim.Uma disputa pela terra entre os quilombolas e a Marinha, que possui o Centro de Adestramento dos Fuzileiros Navais na ilha, se arrasta há anos na Justiça. Em agosto de 2006, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou no Diário Oficial da União o reconhecimento e a delimitação do quilombo da Marambaia, mas recuou no dia seguinte, emitindo uma nova portaria tornando a anterior sem efeito. Informada sobre a declaração do ministro, a Marinha não se manifestou."Recebemos bem as palavras do ministro e esperamos que esses planos se concretizem. A população da comunidade vem crescendo, mas economicamente estamos estagnados. Os homens vivem apenas da pesca e as mulheres não possuem qualquer atividade", comemorou a quilombola Bárbara Guerra, de 28 anos. "Lutamos pela nossa terra e para que os nossos filhos tenham futuro", afirmou. Segundo ela, cerca de 281 famílias vivem na ilha sem luz, água e saneamento.Na segunda-feira, os quilombolas se reúnem com representantes da concessionária Ampla para discutir a chegada da luz. A ONG Koinonia, que monitora a região por meio do projeto Observatório Quilombola, informou que vai esperar o posicionamento das lideranças comunitárias para se pronunciar. Santos também disse ontem que analisará na próxima semana o caso da comunidade indígena que ocupa a Praia do Imbuí, no bairro de Jurujuba, em Niterói, região metropolitana do Rio, composta por mais de 200 moradores. Os índios brigam judicialmente com o 21º Grupamento de Artilharia de Costa do Exército para permanecer na região.

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