André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Joaquim Barbosa se diz 'chocado' com depoimento de Barusco

Ex-presidente do Supremo relaciona Revoluções Francesa e Russa e 15 de Novembro à atual crise política

Alexandra Martins, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 10h22



Atualizado em 12.03

Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, está "chocado" com o atual momento. Pelo Twitter, na madrugada desta quarta-feira, 11, fez relações entre a conjuntura política do País a momentos históricos que, após revoluções populares ou articulações políticas, culminaram em mudanças de governo.

Barbosa disse ter escrito os tuítes "porque no Brasil pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a História dá e aplica". Da estante brasileira, evocou a proclamação da República. "Em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu."

O exemplo do militar alagoano de seis estrelas, combatente em frentes na Guerra do Paraguai, tem pertinência porque, segundo a literatura brasileira, Deodoro pretendia em princípio derrubar um desafeto, o Visconde de Ouro Preto, e não o regime de d. Pedro II. Viu-se enroscado até a última insígnia do uniforme aos líderes republicanos até o 15 de novembro de 1889. Mesmo combalido por problemas de saúde, foi escolhido primeiro presidente da República por ser próximo ao imperador.

Deodoro proclamou a República numa época em que o governo usava mensageiros, cavalos, telefone em certas ocasiões, mas não mensagens instantâneas como hoje. Tanto que "o velho", como era chamado, só soube que o movimento pretendia colocá-lo de fato no comando do País na noite anterior ao dia 15 por meio do decreto já redigido pelos republicanos.

Na Europa. Barbosa não se ateve à história do Brasil e citou as Revoluções Francesa e Russa. A referência ao movimento que derrubou a Bastilha foi a primeira após dizer ser "importante no momento atual" falar de história.

"Quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolução francesa?", postou o ex-ministro às 2h43. O segundo tuíte foi sobre a proclamação da República e o terceiro dizia: "Nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1ª guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia".

Barbosa contou ter visto a programação da TV Câmara na terça-feira, dia em que o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco relatou a propina recebida do esquema de corrupção na estatal. "Chocante", escreveu, ao afirmar ser um "tremendo erro" ver o caso sob "ótica puramente partidária". "Partidos são meros instrumentos. Nossa nação não se construiu e tampouco se define à luz de momentâneos interesses partidários", postou Barbosa.

 

 

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