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Joaquim Barbosa recebe Medalha da Inconfidência em MG

Presidente do STF defendeu a importância de ações afirmativas para diminuir a desigualdade no País

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo,

21 Abril 2013 | 17h27

Mineiro de Paracatu, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi o principal homenageado da cerimônia que entregou, neste domingo, 21, a Medalha da Inconfidência em Ouro Preto. Ele foi o orador do evento e, em seu discurso, defendeu a importância das ações afirmativas para diminuir a desigualdade no País. O evento acontece todo dia 21 de abril e é uma homenagem ao inconfidente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

 

O ministro - que foi o relator do processo do mensalão, responsável por condenar importantes quadros do PT - recebeu a medalha das mãos de dois tucanos: o senador e pré-candidato à Presidência Aécio Neves e o governador de Minas, Antonio Anastasia.

 

Aécio, no entanto, negou que a cerimônia tenha tido de cunho político. "Estamos homenageando um mineiro que é reconhecido não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, pela importância que tem. Eu não tenho dúvida que o recente julgamento do Supremo Tribunal Federal é um marco importante para democracia brasileira. Portanto, é uma honra para qualquer um de nós poder tê-lo como conterrâneo."

 

Em seu discurso, Barbosa evitou tocar em temas políticos. Ele apenas exaltou a memória de Tiradentes, que foi o principal líder da inconfidência mineira, e fez uma defesa às cotas raciais.

 

"No Brasil contemporâneo, há progressos recentes na promoção do ideário de igualdade de Tiradentes, como é o caso do reconhecimento da desigualdade e da exclusão social histórica de que foi vítima um segmento-chave da comunhão nacional, os negros, fato que levou o nosso STF a chancelar as políticas de ações afirmativas para grupos sociais hipossuficientes em universidades públicas", afirmou.

 

Há 13 anos, a história foi um pouco diferente. Durante o governo Itamar Franco (PMDB), no ano 2000, o ex-ministro José Dirceu, considerado pelo STF como o chefe do esquema do mensalão, foi convidado para ser o orador do evento ao lado do então presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, que dois anos chegaria ao Palácio do Planalto. Na época, Dirceu criticou o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

 

Liberdade. Apesar de Anastasia ter defendido em seu discurso que a luta pela liberdade era uma das principais características dos mineiros, um grupo de servidores públicos que protestava contra o governo do tucano foi proibido de se aproximar da Praça Tiradentes, onde ocorreu a cerimônia.

 

Somente pessoas credenciadas e autoridades puderam ter acesso ao espaço, principal ponto turístico da cidade. A praça foi cercada por barreiras e toda a cidade estava tomada por policiais, que não deixavam nem mesmo as pessoas do município assistirem à cerimônia. A assessoria do governo de Minas disse não estar autorizada a divulgar o número do efetivo que fez a segurança do evento.

 

O presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, Leonardo Barbosa, chegou a colocar bandeiras pretas nas janelas da Casa, que fica na praça, em protesto ao fato de as pessoas da cidade não poderem assistir ao evento.

 

As bandeiras, no entanto, foram retiradas pela organização da cerimônia. O Estado presenciou o momento que um homem subiu por uma escada e trocou as bandeiras por outras do Estado de Minas. O ato revoltou o vereador, que retirou o símbolo.

"Sumiram com as bandeiras pretas assim como sumiram com a cabeça de Tiradentes", afirmou o presidente da Câmara.

 

Segundo o vereador, que também é do PSDB, as bandeiras significavam luto pelo fato de o evento ser fechado à população de Ouro Preto. "Há mais de 12 anos isso acontece. É um absurdo as pessoas serem impedidas de virem à Praça Tiradentes, que sempre foi um símbolo da liberdade", disse.

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