João Paulo é vaiado em audiência e critica ausência de Berzoini

O presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha (PT/SP) foi vaiado pelos cerca de mil funcionários públicos que participaram, em Porto Alegre, da primeira audiência pública das cinco que vão discutir a reforma da Previdência nos Estados. Mobilizados, portando cartazes e gritando palavras de ordem, os participantes saudaram entusiasticamente políticos que viam como adversários, como os deputados federais Alceu Collares (PDT) e Ônyx Lorenzoni (PFL), e chamaram de "traidores" os ex-aliados petistas Paulo Pimenta e Maria do Rosário, também deputados federais.A ausência do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, frustrou os participantes da audiência e mostrou um descompasso na defesa da reforma. Sem saber que o deputado estadual Adão Villaverde (PT), líder do governo federal na Assembléia Legislativa gaúcha, havia explicado que Berzoini ficara em Brasília por ter sido chamado a uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, João Paulo disse que seria bom que o ministro participasse da audiência, mesmo diante de um público hostil. "Não podemos temer o debate", criticou.Ao subir ao palco do auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa gaúcho, João Paulo já ouviu palavras como "pelego" e "farsa". Mesmo garantindo que os pedidos apresentados nas audiências serão analisados pelo relator da reforma, José Pimentel (PT/CE), e que o parlamento vai produzir um texto que representa a média da opinião dos brasileiros, ele não foi poupado dos protestos de uma platéia unanimemente contrária às modificações já propostas para o Regime Próprio dos Servidores Públicos.Quando falou que mesmo com opiniões diferentes, as posições que estavam sendo apresentadas eram "pedagógicas e educativas", João Paulo foi interrompido por risos do público. Ele afirmou que as manifestações eram "pedagógicas para os que não conseguem tratar com adversários" e foi calado de novo por vaias e por gritos de "Luciana, Luciana, Luciana", referências à deputada federal Luciana Genro, ameaçada de expulsão do PT por se opor às reformas.João Paulo fez nova tentativa e citou a necessidade de superar intolerância. A resposta foi outro coro. "Heloísa, Heloísa, Heloísa", citação à senadora Heloísa Helena (PT-AL) que tende a ter o mesmo destino de Luciana no PT. "Precisamos saber conviver com opiniões diferentes", prosseguiu o presidente da Câmara. João Paulo proclamou sua confiança na democracia e nas instituições, declarou a audiência aberta, foi vaiado de novo, e saiu para visitar o gabinete do presidente da Assembléia, Vilson Covatti (PP) e o governador Germano Rigotto (PMDB).

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