João Paulo diz que mínimo de R$ 290 em janeiro é "difícil"

O presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), afirmou, em entrevista após almoço de fim de ano com todos os líderes partidários em sua residência, nesta quinta-feira, que é muito difícil antecipar para janeiro um aumento do salário mínimo. Ontem à noite, em encontro com o presidente Lula, senadores do PT propuseram antecipar a concessão do reajuste do salário mínimo para janeiro e aumentá-lo dos atuais R$ 260,00 para R$ 290,00. Horas antes, porém, o presidente já havia anunciado a decisão de manter em maio a concessão do reajuste e de fixar o mínimo em R$ 300,00. O argumento dos senadores foi que a concessão de R$ 290,00 em janeiro significaria um reajuste real maior do que R$ 300,00 em maio. Segundo João Paulo, porém, "não foi isso que o ministro Antonio Palocci (da Fazenda) informou aos deputados". O presidente da Câmara declarou-se disposto a discutir toda proposta que possa melhorar o salário mínimo. "Mas eu acho muito difícil. Se é possível colocar R$ 290,00 em janeiro, por que o presidente Lula anunciou R$ 300 para maio?", questionou. Depois, referindo-se ainda à proposta de senadores do PT, sugeriu: "Alguém está querendo ser mais realista do que o rei."João Paulo disse ainda que os deputados não ficarão constrangidos de votar ao mesmo tempo, em 2005, o projeto de reajuste do salário mínimo para R$ 300,00 e o de elevação do teto salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal para R$ 21.500,00. "São coisas diferentes, e eu acho que a sociedade sabe separar isso. Evidentemente que, se você pegar os valores absolutos, é muito forte. Mas, enfim... é o Brasil", disse. Ao comentar o ano legislativo, ele afirmou que a Câmara trabalhou "bastante" em 2004 e votou matérias importantes, como o projeto da nova Lei de Falências. "Mas, por mais que você faça, sempre tem coisas por fazer, que eu acho que no ano que vem vai dar para complementar", acrescentou. João Paulo deixa a Presidência da Câmara em 14 de fevereiro de 2005.

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