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João Paulo Cunha prepara pronunciamento sobre mensalão

Ele também deve anunciar se renunciará ou dará prosseguimento ao seu quinto mandato como deputado federal

Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2012 | 14h25

SÃO PAULO - O deputado federal João Paulo Cunha (PT) prepara um pronunciamento sobre o julgamento do mensalão. Será a primeira vez que ele falará sobre o processo depois de ter sido condenado, no fim de agosto, por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). João Paulo organiza uma plenária do PT dia 23 em Osasco, seu reduto eleitoral na Grande São Paulo, para falar sobre as consequências do julgamento e avaliar o desempenho do partido nas eleições municipais.

O parlamentar ainda aguarda a definição das penas a que será submetido pelo STF. A decisão dos ministros não tem data marcada. Após ter sido condenado, João Paulo renunciou à candidatura que mantinha a prefeito de Osasco. Fechou-se em casa, entre familiares e evitou participar de votações em Brasília. Ele nunca mais falou sobre o mensalão.

Na reunião agendada, João Paulo deve anunciar se renunciará ou dará prosseguimento ao seu quinto mandato como deputado federal. Ele pode ser cassado se for levado à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania ou ao Conselho de Ética da Casa. Ao condenar João Paulo, o ministro do STF, Cesar Peluso, votou pela cassação.

João Paulo será um dos debatedores na plenária, ao lado do presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, do presidente do PT paulista, deputado estadual Edinho Silva, e do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), líder do partido na Câmara. A assessoria parlamentar de João Paulo ainda confirma a participação do líder do Governo, Arlindo Chinaglia (PT).

Na apresentação do substituto de João Paulo logo no início de setembro - o secretário de Governo de Osasco, Jorge Lapas (PT), que foi eleito contra o tucano Celso Giglio (barrado pela Lei da Ficha Limpa) - Rui Falcão afirmou que o mensalão era um "golpe da oposição suja, conservadora e reacionária".

No processo, João Paulo foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de receber R$ 50 mil desviados dos cofres públicos em troca de ter beneficiado, enquanto presidia a Câmara dos Deputados, a empresa do publicitário Marcos Valério - condenado como operador do esquema a mais de 40 anos de prisão. O petista sempre alegou inocência e disse que recebeu a quantia em 2004 para pagar pesquisas eleitorais na região de Osasco. Ele também negou ter conhecimento da origem do dinheiro, solicitado ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares - condenado a 8 anos e 11 meses de prisão.

Durante o julgamento, o petista chegou a dizer que discordava do ministro relator, Joaquim Barbosa, que pediu sua condenação e que confiava que os demais ministros entenderiam a argumentação e os contraditórios apresentados pela defesa. O que não ocorreu. João Paulo dissera ao Estado, em junho, que gostaria de "recomeçar a carreira política" como na prefeitura de Osasco e que "não podia mais errar".

Uma pesquisa Ibope feita em Osasco dias após a condenação mostrou que 77% dos eleitores consideravam justa a condenação do parlamentar.

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