João Paulo critica relator que pediu sua cassação

O Conselho de Ética da Câmara suspendeu sua sessão quando estava em vias de iniciar a votação do pedido de cassação do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). A suspensão se deveu ao início, no plenário da Câmara, da parte da sessão destinada a votações. O Regimento da casa proíbe o funcionamento das comissões quando se inicia essa parte da sessão do plenário. Antes da interrupção da sessão, em clima tenso, João Paulo partiu para o ataque ao relator, Cézar Schirmer (PMDB-RS), que pediu a cassação do mandato do petista. O ex-presidente da Câmara observou que o parecer de Schirmer tinha "um certo ranço e uma certa agressividade". Depois, chamou o relator de mentiroso, omisso, covarde e preconceituoso, acusando-o de ter exagerado na tinta em seu parecer, vendendo uma imagem dele que não corresponde à realidade. "Não sou este homem perigoso, omisso, corrupto que, maliciosamente, faz as tramas por trás do poder", defendeu-se João Paulo, advertindo que o tempo vai julgá-lo e julgar o relator.João Paulo anunciou, em seu pronunciamento, que quer candidatar-se nas eleições deste ano. "Quero ter a coragem de enfrentar o povo paulista", afirmou. O deputado disse que Schirmer mentiu no relatório quando afirmou que ele apresentou dois documentos à CPI dos Correios, referindo-se à visita da mulher dele, Márcia Regina Milanese Cunha, ao Banco Rural, e que também mentiu ao dizer que ele procurava formar um núcleo de campanha para disputar o governo de São Paulo.Ao acusar Schirmer de ser omisso, ele afirmou. "Vossa Excelência omite o que interessa a Vossa Excelência. Isto não é um ato de um homem corajoso", observando que pode buscar duas ou três passagens em que o relator foi omisso em seu parecer, mas não detalhou essas passagens. Disse, também, que Schirmer é preconceituoso porque, ao se referir ao funcionário da Secretaria de Comunicação da Câmara Márcio Araújo, durante a gestão do petista, citou o fato de Márcio ser petista.João Paulo repetiu o que a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), sua aliada no Conselho, já h avia dito em seu voto em separado, citando Jesus Cristo e Hitler. "A moral já trouxe muito prejuízo. Jesus Cristo foi crucificado porque a opinião pública pediu. Hitler subiu ao poder porque a opinião pública pediu. A moral já levou Galileu Galilei à fogueira", disse João Paulo.Antes dele, em seu pronunciamento, o relator havia contestado pontos levantados por Guadagnin em seu voto em separado. A sessão do Conselho deverá ser retomada após as votações do plenário da Câmara. A reunião do Conselho já durava seis horas e 10 minutos quando foi suspensa. Duras horas e 48 minutos desse tempo foram gastas com a leitura do voto de Guadagnin em defesa de João Paulo.

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