João Paulo ainda tenta acordos para votar mínimo amanhã

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, está tentando um acordo com os líderes partidários para garantir a votação, amanhã, pela manhã, da medida provisória do salário mínimo. Ele esteve hoje na liderança do PSDB e do PFL. O deputado Alberto Goldman (SP), vice-líder do PSDB, afirmou que seu partido concorda com qualquer acordo de procedimento para votação, desde que a votação do valor de R$ 275 seja nominal, com registro dos votos no painel eletrônico. "Se não for nominal, o PSDB vai obstruir do primeiro ao último minuto", disse Goldman.Segundo ele, o presidente da Câmara considerou razoável a exigência, e disse que está conversando com os líderes sobre o assunto. A preocupação em estabelecer um acordo de procedimento na votação do salário mínimo é para garantir agilidade, porque muitos deputados, principalmente do Nordeste, devem viajar amanhã à tarde para as festas juninas de seus Estados. Votação será pela manhã, diz InocêncioO primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE), foi ao gabinete do presidente João Paulo Cunha e disse, ao sair, que a MP do salário mínimo será votada amanhã de manhã. Segundo Inocêncio, para garantir a presença no plenário dos deputados do Nordeste interessados em participar das festas juninas em suas regiões de origem, João Paulo pediu às companhias aéreas que coloquem vôos extras amanhã à tarde. O momento mais forte das festas juninas no Nordeste é a noite de quarta para quinta-feira.Segundo Inocêncio, se o pedido de João Paulo for atendido pelas companhias, deverá haver três vôos extras para o Nordeste amanhã, partindo de Brasília: o primeiro deles para Fortaleza e Natal; o segundo, para Recife, Maceió e João Pessoa e o terceiro, para São Luís e Teresina.Líderes estudam meio de garantir votações antes do recessoO líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), informou que as lideranças governistas estão procurando uma forma que garanta as votações das matérias importantes na Casa, antes do recesso parlamentar. Ele entende que a melhor forma seria transferir o recesso de julho para agosto.Esta alternativa, porém, foi rejeitada pelos partidos de oposição, quando proposta pelos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Se não há possibilidade de troca, temos de partir para uma saída regimental e constitucional", disse Luizinho, não descartando a convocação extraordinária.Também João Paulo defende uma medida para garantir a votação dos projetos antes do recesso. "O tempo é curto", disse. "Temos de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2005 (LDO) e o salário mínimo. Temos o recesso de julho e, nos meses de agosto e setembro, o trabalho será precário", disse ele, referindo-se à campanha para as eleições municipais de outubro. "Precisamos de uma medida profunda e mais dura", sustentou João Paulo, ressaltando que há vários projetos que precisam ser votados.Ele não respondeu, no entanto, se a medida a que se referia é a convocação extraordinária. Na Câmara, a prioridade do governo é votar, além da medida provisória do salário mínimo, as propostas que tratam da regulamentação das atividades das agências reguladoras, da incorporação imobiliária e de inovações tecnológicas. No Senado, o governo quer ver aprovados os projetos da nova Lei de Falências, da Lei de Biossegurança e das Parcerias Público-Privadas.PFL é contra convocação extraordinária em julhoO líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA), reafirmou que seu partido é contra a convocação extraordinária do Congresso em julho. "Achamos um equívoco", disse. Se o governo resolver fazer, que faça. Não terá o nosso apoio. A convocação seria jogar dinheiro fora. Não há nada que não possa esperar para agosto para ser votado."

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