João Paulo acha normal aprovar PPP através de MP

O presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), defendeu a aprovação do projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP) no Congresso através de Medida Provisória como disse ontem o ministro do Planejamento Guido Mantega diante da dificuldade de a matéria ter uma tramitação normal. "Pela importância que a PPP tem nesse momento em que a economia do País dá demonstração de vigor a MP é um instrumento que não pode ser descartado", disse em Salvador, cidade que visitou para apoiar a candidatura do petista Nélson Pelegrino à prefeitura. O candidato está em terceiro lugar de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto.De acordo com João Paulo, o governo não pode arriscar que a PPP não seja aprovada este ano e nesse sentido todo o esforço é necessário, inclusive pedir apoio a setores da oposição como o grupo dissidente pefelista liderado pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O encontro do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com ACM semana passada, teve grande repercussão na campanha de Salvador devido ao mal-estar provocado com em Nelson Pelegrino, adversário ferrenho do candidato do senador na disputa pela prefeitura da capital baiana, César Borges (PFL). Após o encontro, ACM vangloriou-se do suposto prestígio que tem no Planalto apesar da oposição do PT baiano.Os petistas que imaginaram declarações contundentes do deputado João Paulo Cunha contra ACM se decepcionaram. "O senador Antonio Carlos Magalhães tem um papel importante no Senado e institucionalmente sua relação com o governo federal é boa", disse, assinalando que o Planalto precisa mesmo do apoio do grupo de Magalhães para aprovar a PPP. Ele lembrou que o presidente também se relaciona muito bem com os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), que apóiam candidatos a prefeitos adversários de petistas. "Se isso não ocorresse seria difícil governar o Brasil".Indagado se a boa relação da ACM com Lula não poderia, contudo, confundir o eleitor e prejudicar a candidatura de Pelegrino, João Paulo disse que não. "O apoio (de Lula) ao companheiro Pelegrino é coisa tão evidente que dispensa qualquer reflexão nesse sentido", comentou. O presidente da Câmara assinalou que no ano passado Pelegrino como líder do governo Lula chegou a ser vaiado ao apoiar projetos considerados impopulares e agora quando "as coisas começam a funcionar" é justo que "ele seja aplaudido". Ele acha que o petista vai chegar na frente e disputar o segundo turno. Pelegrino também considerou "normal" as negociações de Lula com ACM e classificou de "factóide" a utilização do episódio na campanha eleitoral.

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