''''João Lyra não será o meu Eriberto'''', diz o peemedebista

Renan, segundo amigos, fez referência a motorista do caso Collor e insistiu em que é alvo de disputa regional

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Em conversa com assessores e amigos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), avaliou que as declarações do ex-deputado e usineiro João Lyra à revista Veja, confirmando a sociedade entre os dois, intermediada por laranjas, na compra de uma rádio e um jornal, não agravam sua situação política.Para o peemedebista, ao contrário, a afirmação de Lyra só referenda sua defesa, de que está sendo ''''alvo de disputa política regional''''. Na semana passada, em discurso na tribuna do Senado, Renan afirmou que é vítima de adversários políticos derrotados em Alagoas, e citou nominalmente Lyra e a presidente do PSOL, a ex-senadora Heloísa Helena.No próprio sábado, quando a revista chegou às bancas, Renan disparou telefonemas antes de embarcar para São Paulo, onde passou o final de semana com a mulher, Verônica, em compromissos pessoais. ''''Ele não será o meu Eriberto'''', disse Renan, segundo relato de amigos. Foi uma referência a Eriberto França, motorista da secretária particular do então presidente Fernando Collor, Ana Acioli. Eriberto contradisse Collor ao revelar detalhes do esquema de corrupção chefiado pelo tesoureiro do presidente, Paulo César Farias, e precipitou sua derrubada.Prestes a enfrentar mais dois processos no Conselho de Ética - um do caso Schincariol (à espera, apenas, de relator) e o da suposta sociedade com laranjas em Alagoas (e que deve ser aprovado pela Mesa Diretora na quinta-feira) -, Renan tem tentado aparentar tranqüilidade. Vem insistindo que não pretende deixar o comando do Senado, apesar do aumento da pressão para que se afaste do cargo até a conclusão das investigações.A primeira denúncia contra ele foi de que teria pago pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, com dinheiro da empreiteira Mendes Júnior, através do lobista Cláudio Gontijo.Renan nega e diz apenas ser amigo pessoal do lobista da construtora. Afirma que lucrou R$ 1,9 milhão com a venda de gado e, assim, obteve recursos para pagar as despesas.CONTRA-ATAQUEOntem, em artigo publicado pelo site blogdosblogs e intitulado Mentiras e verdades, Renan voltou a criticar a imprensa e o que chamou de ''''jornalismo irresponsável e ilegítimo''''. ''''Críticas e cobranças fazem parte do jogo democrático, assim como a mais ampla liberdade de imprensa. Mentiras, difamações e acusações sem provas seguem na contramão da democracia e denunciam um jornalismo irresponsável e ilegítimo. É o que vem acontecendo há mais de dois meses, com o ataque impiedoso que parte da mídia vem fazendo contra mim e que já se transformou em campanha, movida por interesses escusos e alimentada por meus desafetos políticos regionais - o ex-governador João Lyra e a ex-senadora Heloísa Helena'''', escreveu.Ele afirmou que ''''não tem patrimônios clandestinos'''' e disse que ''''nunca recorreu a recursos alheios'''' para arcar com despesas pessoais. Por fim, disse que sua força ''''é proporcional à sua verdade''''. ''''E a verdade - que ninguém duvide - é sempre mais poderosa que qualquer mentira.'''' A.P.S.

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