João Fontes não vê razões para ser desligado da bancada do PT

O deputado João Fontes (PT-SE) disse não ver motivos para ser desligado da bancada, como defendem petistas afinados com o Palácio do Planalto, que querem também o afastamento temporário da deputada Luciana Genro (PT-RS). Fontes, que divulgou a gravação de um discurso político feito por Lula em Sergipe, em setembro de 1987, condenando a reforma da Previdência, afirmou que esse fato não desgasta politicamente o presidente, como alegam os vice-líderes do PT. "O que atinge o presidente é a vinda de pessoas de passado negro para a base aliada do governo", sustentou. Ele disse que tomou a atitude de divulgar a gravação para defender a senadora Heloísa Helena (PT-AL), ameaçada de expulsão do PT por não ter votado no senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado, em fevereiro. Fontes alegou que o discurso de Lula é de conhecimento público. "Isso é público lá em Segipe. Inclusive hoje está sendo lançado um livro sobre esse episódio". Fontes disse que não tomará a iniciativa de sair da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde a reforma da Previdência está sendo discutida, e que continua achando que alguns pontos dessa reforma são inconstitucionais. "Só saio da CCJ se eles me tirarem. Eles que me substituam", disse, argumentando que as punições vão na linha oposta do PT. "Isso é a truculência do (José) Genoino (o presidente do PT). Há uma grande contradição entre o que o PT pregou na campanha e o que agora o governo está fazendo, sobretudo na direção da política macroeconômica". "Por que vamos ser punidos? "Porque estamos sendo coerentes? Se pegar o discurso do Lula, há seis meses, ele afirmava que não iria cobrar dos inativos", argumentou. Fontes afirmou ainda que Genoino se equivocou ao afirmar que ele já foi filiado ao PFL, pois nunca foi filiado a esse partido, mas sim ao PL, e isto por um pequeno período, entre 1986 e 1987. O deputado sergipano lembrou que está filiado ao PT desde 1999, tendo trabalhado na campanha pela eleição do prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT). Ele confirmou, no entanto, ter sido presidente da Companhia Energética de Sergipe entre 1987 e 1989, na gestão do então governador Antônio Carlos Valadares, que na época era filiado ao PFL (hoje, está no PSB). Segundo João Fontes, na época a candidatura Valadares ao governo foi apoiada pelo PT e pelos partidos de esquerda. Ele disse, ainda, que ao mostrar as contradições do PT, ele próprio está sendo coerente.

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