João da Costa deve reagir à imposição do nome de Humberto Costa para disputa no Recife

Reunião com militância política de João Costa ainda está sem data e horário definidos

Angela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 18h00

O prefeito do Recife João da Costa vai se reunir com o seu grupo político para discutir como pode reestabelecer o direito de postular a sua reeleição na cidade. A militância do prefeito, que chegou a preparar uma festa para recebê-lo no Aeroporto dos Guararapes, deve se reunir com Costa para definir os rumos a serem tomados. A reunião ainda está sem data e horário definidos. "Será depois do feriado", limitou-se a dizer o presidente do PT do Recife, Oscar Barreto, ao defender que o assunto deve ser tratado sem cabeça quente. Uma coisa, porém, é dada como certa: haverá resistência.

Buscar convencer, através da imposição do nome do senador Humberto Costa como candidato à prefeitura da cidade; Entre as alternativas levadas em conta pelo grupo de Costa estão tentar convencer, no diálogo, a executiva nacional do PT sobre o que considera "erro" da intervenção no processo sucessório do Recife; entrar com recurso na direção nacional em prol do direito à reeleição do prefeito ou buscar a Justiça comum visando a restabelecer o direito do prefeito de postular um segundo mandato.

Segundo o ex-presidente estadual do PT, Jorge Perez, a decisão da executiva nacional "abre um precedente perigoso para o partido no nível nacional e deve ser negada". "Assim, basta não concordar com o processo democrático, para intervir". Ele destacou que o processo de escolha do candidato petista à prefeitura vinha seguindo todos os trâmites regimentais. Primeiro, relembrou, foi feita uma primeira prévia, em que o prefeito ganhou por 52% dos votos de Maurício Rands. A prévia foi anulada, a partir de questionamentos de quem tinha ou não direto de votar, e uma outra começou a ser organizada pela executiva nacional. Rands desistiu de concorrer e o prefeito manteve a intenção de disputar a reeleição.

O problema, de acordo com os aliados do prefeito, foi a intervenção realizada pela executiva e não o nome de Humberto Costa, que seria tranquilamente acatado se ele aceitasse disputar e saísse vencedor de uma nova prévia. "Foi uma violência", resumiu o deputado federal Fernando Ferro.

Para o grupo político do prefeito, a decisão da executiva nacional nada tem a ver com uma suposta negociação feita com o PSB, em que Humberto sairia candidato no Recife em troca do apoio a Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo. "Isso não existe, é desculpa para justificar uma intervenção que o governador Eduardo Campos (presidente nacional do PSB) não exigiu."

"Esta história é apenas uma justificativa para a violência do PT neste processo", reforçou Fernando Ferro. "Pura especulação, o governador podia ter suas preferências, mas sempre deixou claro que acataria a decisão do PT do Recife", acrescentou a deputada estadual Teresa Leitão, apoiada pelo presidente do PT na capital, Oscar Barreto.

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