Jersey tem leis rígidas contra lavagem de dinheiro

Analistas do sistema financeiro, bancos e advogados de Jersey são unânimes em afirmar que o ex-prefeito Paulo Maluf não conseguiria abrir hoje uma conta em um banco no paraíso fiscal, pelo menos não da mesma forma que supostamente fez em 1997. A lei contra a lavagem de dinheiro na ilha foi modificada em 1999, classificando a prática de crime e tornando obrigatório que os clientes dos bancos em Jersey comprovem a origem do dinheiro que estão trazendo para a ilha. "O objetivo foi endurecer o combate as praticas de lavagem de dinheiro", afirmou um advogado. Para um analista financeiro, "hoje ninguém com uma mala preta cheia de dólares conseguiria chegar na cidade e simplesmente abrir uma conta sem provar de onde veio o dinheiro". A iniciativa da nova lei foi do Partido Trabalhista e acabou gerando uma pressão sobre as instituições financeiras, para que revelassem às autoridades de Jersey a existência de contas suspeitas em suas agencias na ilha. A lei, conhecida como "Know your Costumer" (conheça seu cliente), parece ter dado resultados positivos. O G-7 classificou ilha como um dos paraísos fiscais mais "limpos" entre todos os centros financeiros do mundo. A agência do Citibank em Jersey, onde Maluf teria seus ativos depositados, confirmou que todos os dados sobre os clientes são avaliados antes de serem autorizados a colocar dinheiro no banco. "Identificamos todos nossos clientes", afirmou o gerente da agência, Clive Jones. Ele explicou ainda que o banco não aceita a abertura de contas com nomes fictícios. Situado em uma das principais ruas de Jersey - a Esplanade Street - a agencia do Citibank tenta cumprir as regras locais. O banco exige documentos sobre o banco de onde o dinheiro sairia para ser depositado na ilha do Canal da Mancha. Outra exigência do próprio banco: um deposito inicial de US$ 100 mil, cerca de R$ 250 mil. Sobre as acusações de que Maluf teria uma conta na agencia de Jersey, Jones se recusou a comentar. "Sabemos do caso, mas não temos nada a declarar", afirmou. Uma das informações, porém, indica que foi o próprio Citibank que passou as informações sobre Maluf às autoridades de Jersey. "Temos uma relação aberta e honesta com as autoridades", completa Clive Jones. Na polícia local, os investigadores também se recusaram a comentar o caso, mas funcionários confirmaram que a "investigação está em andamento". RepercussãoA notícia sobre os ativos de Maluf em Jersey está começando a chamar a atenção dos jornais locais, que passaram a investigar o caso desde o final da semana passada. Segundo um jornalista do Jersey Evening Post, "há dois anos não tínhamos qualquer caso de lavagem de dinheiro na cidade, muito menos relacionados a um valor tão alto quanto supostamente seria a conta do senhor Maluf". A conta no Citibank de Jersey do ex-prefeito teria US$ 200 milhões.

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