Jersey bloqueia US$ 22 milhões de Paulo Maluf

Prefeitura de São Paulo tenta repatriar recursos para o Brasil

Fausto Macedo e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h34

A Prefeitura de São Paulo e o Ministério Público Estadual obtiveram, na segunda-feira, uma liminar do juiz Michael Birt, em ação na corte da Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, para bloquear US$ 22 milhões supostamente desviados do município durante a gestão de Paulo Maluf (1993-1996). Em outra ação, foi pedido o repatriamento do dinheiro para o Brasil. Uma terceira ação será proposta no Brasil para obrigar a Eucatex - empresa da família Maluf - a devolver US$ 93 milhões aos cofres públicos.

 

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Essas são as primeiras ofensivas do município para reaver os recursos que, segundo o Ministério Público, foram desviados de obras como a construção da Avenida Roberto Marinho, na zona sul de São Paulo.

 

O dinheiro de Jersey, segundo as autoridades, está em contas de duas offshores: a Durant International Corporation e a Kildare Finance Limited. Segundo a Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo, essas empresas pertencem a três filhos do ex-prefeito: Flávio, Lygia e Lina Maluf.

 

O dinheiro de Jersey teria como origem contas bancárias na Suíça e em Londres mantidas, segundo o Ministério Público, por Maluf, hoje deputado (PP-SP). O ex-prefeito e seus familiares negam as acusações.

 

De acordo com as ações da prefeitura, o dinheiro retirado do Brasil por meio de contas do Banestado e de outros bancos seguiu para Nova York, em contas do próprio Banestado, do MTB Bank e do Safra. Em seguida, o dinheiro foi transferido para uma conta do Citibank em Genebra e para outra do UBS em Zurique.

 

O dinheiro do Citibank, ainda segundo as autoridades, saiu da Suíça e foi para a Ilha de Jersey e o dinheiro do UBS foi para uma agência do banco em Londres. Por fim, os recursos das contas foram parar em uma agência do Deutsche Bank em Jersey, de onde US$ 93 milhões foram repatriados, segundo a promotoria, na forma de compra de ações da Eucatex.

 

Busca nos EUA

 

"Sabemos que ao menos US$ 22 milhões ainda estão em Jersey", disse o promotor Silvio Antônio Marques, responsável desde o início pelas investigações. Segundo ele, mais de US$ 200 milhões passaram pelas contas de Jersey. "O restante foi enviado para os Estados Unidos e outros lugares." O promotor afirmou que, dentro de 30 dias, no máximo, deve entrar com a ação contra a Eucatex.

 

Durante dois meses, Marques, o procurador-geral do município, Celso Augusto Coccaro Filho, e o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo, reuniram-se em sigilo para acertar os detalhes das ações para o repatriamento do dinheiro. Após Jersey, a próxima meta será buscar nos EUA possíveis recursos desviados.

 

Na terça-feira, Ministério Público, a prefeitura e o Deutsche Bank fecharam os termos de um acordo de colaboração no qual a instituição financeira comprometeu-se a pagar US$ 5 milhões ao município: US$ 500 mil vão para o Estado e US$ 500 mil para a União. O acordo deve ser assinado na próxima semana e é o primeiro envolvendo os bancos por onde passaram fundos sob suspeita.

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