Jereissati responsabiliza governo por baixas no PSDB

A cúpula do PSDB não tem dúvidas sobre a interferência do governo Lula na saída de oito deputados do partido, apesar das negativas do presidente do PT, José Genoino. "Claro que tem o dedo do Palácio do Planalto, além da vontade desses parlamentares de ser governo", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), minimizando as conseqüências políticas das perdas. Os tucanos assumiram o discurso de que a desfiliação de deputados que não seguem orientação do partido vai melhorar a qualidade das bancadas. Jereissati corre o risco de perder três deputados de seu grupo político: Rommel Feijó, Ariosto Holanda e Arnon Bezerra. Ele garantiu que o PSDB não pretende segurar ninguém que deseje sair do partido. O deputado Walter Feldman (PSDB-SP) disse que certamente o governo atuou, mas disse ser uma prática de todos os governos para construir maioria. Segundo sua avaliação, além da tendência pró-governo de alguns deputados tucanos, pesaram também nas decisões problemas regionais. E justamente para construir a maioria - sem afetar o PT, que permanece intacto -, o governo montou uma estratégia para estimular o inchaço dos partidos aliados. Só que, no momento, o Palácio do Planalto deseja controlar o crescimento do PTB e do PL, dois partidos conservadores e de vocação clientelista. A maioria dos parlamentares não aposta na viabilidade de eventual criação de um novo partido de apoio ao Planalto para abrigar os parlamentares que estão saindo do PSDB, PDT e PFL. Ao mesmo tempo em que perde parlamentares, o PSDB tenta atrair setores do PMDB descontentes com o rumo pró-governo assumido por esse partido. A cúpula tucana está em conversações com os deputados Moreira Franco (PMDB-RJ) e Raul Jungmann (PMDB-PE), que discutem a hipótese de deixara legenda. O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), disse que Arnon Bezerra e Rommel Feijó não devem deixar o PSDB, mas não garante o mesmo em relação a Ariosto Holanda. Jutahy disse também acreditar que, apesar das especulações, os deputados Jovair Arantes (PSDB-GO) e Paulo Feijó (PSDB-RJ) não devem deixar o partido.

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