Jefferson Peres será relator de terceiro processo contra Renan

Pedetista é forte defensor da renúncia do presidente do Senado, acusado de usar laranjas na compra de rádios

Cida Fontes e Rosa Costa,

10 Outubro 2007 | 12h01

O senador Jefferson Peres (PDT-AM), um dos principais adversários do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi indicado, nesta quarta-feira, 10, relator da terceira e mais documentada representação contra Renan no Conselho de Ética da Casa. Trata-se do processo em que o senador é acusado de registrar em nome de "laranjas" (falsos proprietários) duas emissoras de rádio e um jornal que adquiriu em Alagoas em sociedade com o usineiro João Lyra.   Veja Também:   Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan    Ao chegar nesta manhã no Congresso Nacional, Renan não quis dar entrevista. "Por favor, não vou falar", disse aos jornalistas.     Péres, primeiro a pedir o afastamento de Renan da presidência do Senado, se comprometeu a concluir os trabalhos da relatoria até o dia 2 de novembro, como ficou acertado na reunião de segunda-feira de 19 senadores de seis partidos interessados em levar adiante a apuração das denúncias contra Renan.   Um ultimato dos senadores ao presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), surtiu efeito, já que há mais de uma semana ele vinha se comprometendo a indicar o relator e não o fazia. Um dos motivos dessa demora era a intenção de Quintanilha de não entregar a relatoria a nenhum dos senadores independentes, como Péres.   O senador do PDT foi o relator do processo em que foi cassado o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB), em 2000. Péres foi também relator do processo contra o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), mas seu parecer foi rejeitado em plenário, que aprovou um voto em separado pedindo que a cassação fosse substituída por uma repreensão pública - a qual, aliás, não aconteceu até hoje.   Quinta representação   O DEM e o PSDB entraram na terça-feira com uma nova representação contra Renan, por quebra de decoro parlamentar, na Mesa Diretora da Casa, que vai encaminhá-la ao Conselho de Ética. Será o quinto processo contra ele, em cinco meses. Desta vez, a denúncia reforça a acusação de que Renan manobra a máquina administrativa e servidores do Senado para dificultar as investigações de que é alvo. A medida é paralela à decisão - inédita - de senadores governistas e da oposição de se aliarem para impedir que Quintanilha continue dificultando as investigações contra Renan.   A denúncia cobra investigações sobre a suposta participação do assessor da presidência do Senado Francisco Escórcio, conhecido por Chiquinho, no esquema para espionar em Goiás dois integrantes do conselho que votaram pela cassação do mandato de Renan: os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).   Em nome de Renan, Escórcio teria pedido ajuda ao empresário e ex-deputado Pedro Abrão (PMDB-GO) para instalar câmaras de vídeo no hangar de sua propriedade a fim de gravar Demóstenes e Perillo usando os jatinhos de sua empresa. Demóstenes e Perillo confirmaram a denúncia depois de ouvir todas as pessoas procuradas pelo assessor de Renan.   O Estado mostrou também, na edição de terça, que o presidente do Senado investigou as prestações de contas das verbas indenizatórias de gabinete (R$ 15 mil) dos colegas para ver se alguém havia apresentado notas frias ou feito gastos indevidos.   Outros processo   O presidente do Senado ainda enfrenta outros processos no Conselho de Ética - ele já conseguiu ser absolvido em julgamento no plenário, por 40 votos a 35 e 6 abstenções, da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.   Renan terá de responder à denúncia de suposto favorecimento à cervejaria Schincariol perante a Receita Federal e o INSS em troca da compra superfaturada de uma fábrica de refrigerantes de sua família. E, por fim, a acusação sobre suposta coleta de propina em ministérios do PMDB - caso cujo relator será o senador Almeida Lima (PMDB-SE), um dos principais expoentes da tropa de choque do presidente do Senado.   'Fora Renan'   Depois de exigir a renúncia do presidente do Senado, Renan Calheiros, senadores e deputados reuniram-se na terça-feira num jantar para traçar uma estratégia de ação que envolva a sociedade nessa pressão. "O que sai daqui é um 'fora, Renan'. Trata-se de um movimento muito denso e definitivo", disse o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). A intenção do grupo é mostrar que a crise Renan chegou também à Câmara.   O deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) disse que a intenção do grupo é reunir, por exemplo, servidores e parlamentares críticos do presidente do Senado num abraço simbólico ao Congresso. Do jantar participaram 49 deputados de oito partidos e 13 senadores de cinco legendas.   O motivo primeiro da reunião foi fazer um desagravo aos senadores peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), destituídos, por ordem de Renan, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).   (Com Christiane Samarco)    

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