Jefferson Peres cobra CPI para apurar evasão de US$ 30 bi

O líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM), cobrou, durante pronunciamento no plenário da Casa, que seja instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apuração de denúncia de remessas ilegais de US$ 30 bilhões ao exterior, a maior parte depositada em agência do Banestado em Nova York (EUA), depois de passar por doleiros e por contas CC5 abertas por "laranjas". O senador mostrou-se indignado com o fato de não ter sido apresentado até agora o pedido de instalação da CPI, apesar de já terem sido recolhidas as assinaturas necessárias. O pedido está com a senadora Ideli Salvati (PT-SC). Jefferson Peres lembrou que a operação ilícita, segundo depoimento do delegado da Polícia Federal José Francisco de Castilho Neto ao Senado, envolve empresas e políticos brasileiros. O líder do PDT no Senado mencionou versões da imprensa de que o governo poderia estar interessado na não instalação da CPI, "em nome da governabilidade e da aprovação das reformas". "Se ficar parecendo que o governo é conivente, ele não sairá imune. Espero que o governo tome providências. Espero que os partidos governistas meditem sobre o assunto".Peres anunciou que, se não for instalada a CPI, vai requerer ao Congresso a convocação dos ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Antonio Palocci (Fazenda) para um debate e para provocar imprensa. Segundo ele, os meios de comunicação não estão dando a devida importância ao assunto. "Não podemos continuar bancando avestruzes. Não pode ficar aos olhos da opinião pública que não houve vontade de apurar por conveniência política ou por medo. Se isso passar para a opinião pública, será uma desmoralização para a classe política." Peres disse também que o caso deve ser um dos maiores escândalos da história da República. Na avaliação do senador, a denúncia do delegado Castilho, que diz ter sido afastado do comando das investigações, é "um escândalo gravíssimo" e, em qualquer outro país, teria causado "um terremoto" político, mas, no Brasil, está passando como "uma coisa banal".

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