Jefferson faltou com a verdade, diz ex-diretor de Furnas

O ex-diretor de Operações de Furnas Dimas Toledo disse à CPI dos Correios que não se encontrou com o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em 2002 ou em qualquer outro ano antes da reunião que teve com ele em abril de 2005. A afirmação foi feita em resposta ao deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que o questionou sobre o depoimento de Jefferson no qual o ex-deputado disse ter recebido R$ 75 mil de caixa 2 de Furnas, valor que consta da chamada lista de Furnas que está sob investigação. Perguntado sobre a razão dele ter sido o único diretor da estatal que continuou no cargo durante o governo Lula, Dimas atribuiu o fato a critérios técnicos, ao fato de que ele estava há muito tempo na função e na empresa. Dimas negou que tenha recebido propostas de Roberto Jefferson para fazer caixa 2 com dinheiro da Furnas Centrais Elétricas. Dimas relatou aos integrantes da comissão que se reuniu com Jefferson em abril do ano passado, num encontro intermediado por amigos, cuja motivação era a notícia de que Dimas Toledo seria substituído no cargo.Segundo o ex-diretor, naquela reunião, apresentou seu currículo, o trabalho que realizou em Furnas, e também fez uma apresentação sobre a empresa e seus padrões éticos, afirmando que a estatal não praticava preços para ajudar políticos.Perguntado pelo relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), se Jefferson estaria faltando com a verdade ao afirmar que, na reunião, teria sido acertado repasse de caixa 2, que seria obtido com fornecedores de Furnas, Dimas respondeu: "Ele faltou com a verdade. Inclusive, ele disse três números diferentes sobre o suposto ajuste." O ex-diretor relatou ainda que, na reunião, Jefferson disse ter gostado dele e que pediria sua continuidade no cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.LobistaDimas afirmou que não conhece o lobista Nilton Monteiro, responsável pela distribuição da chamada lista de Furnas, que contém nomes de 156 políticos que teriam recebido recursos de caixa 2 da estatal na campanha de 2002. Na lista consta nomes de parlamentares do PSDB, PFL, PTB, PL e PP. "Nunca me encontrei com essa pessoa", disse.Ele contou um episódio que, segundo ele, poderia ser a motivação de Nilson Monteiro para a distribuição da lista. Segundo Dimas, Monteiro estaria associado a uma empresa de engenharia chamada JP, que firmou, em 2003, uma parceria com Furnas, mas não conseguiu executar o contrato por falta de financiamento.Segundo Dimas, em 2004 Monteiro tentou falar com ele, mas não conseguiu simplesmente porque ele (Dimas) estava muito ocupado. Depois de algumas tentativas, Monteiro teria feito uma ameaça à secretária de Dimas, dizendo que era do PT e iria pedir a cabeça dele ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Negócios em famíliaDimas Toledo reconheceu que tem filhos que são sócios de empresas que mantêm negócios com Furnas. Mas disse que seu filho entrou na empresa Canal Energia, com participação de 22%, quando o contrato dessa empresa com a estatal já estava assinado e em vigor. Disse também que sua filha, que é sócia, com 50% do capital, de uma empresa de produção de eventos, não participa da administração dessa empresa e, portanto, não saberia dos negócios realizados com Furnas.

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