Jefferson elogia STF, mas reclama de ter virado réu

Segundo ele, se tivesse ficado livre, poderia fazer mais revelações

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

Apesar da insatisfação com o fato de ter virado réu em processo penal referente ao escândalo do mensalão, o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) elogiou ontem o Supremo Tribunal Federal (STF). Em seu blog, afirmou que a Corte agiu democraticamente ao aceitar a denúncia contra os demais acusados de participação no esquema. Mas criticou o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por sua inclusão entre os processados.Jefferson sugere que, se tivesse ficado livre da acusação, poderia fazer mais revelações. "Indicado e reconduzido por Lula ao cargo de procurador-geral, Antonio Fernando denunciou ministros e a cúpula do PT, mas incluiu meu nome, obrigando-me ao silêncio - a testemunha tem o dever de falar; o réu, de calar", escreveu. Para o ex-deputado, se tivesse ficado fora do processo no STF, ele seria uma ameaça, como "uma voz forte demais a gritar contra esse governo podre do PT". Jefferson, que será processado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, afirmou que Souza, a quem chamou de "papa-hóstia", "deu uma no cravo e outra na ferradura". Réu em vários crimes, o publicitário Marcos Valério garante que vai provar "que não cometeu os atos ilícitos que lhe são imputados". Em nota, afirmou que confia na Justiça e vai responder ao indiciamento "nas esferas competentes, sempre que for convocado, como sempre o fez". Valério evitou a imprensa.Ontem, outros réus também comentaram a decisão do Supremo de abrir processos contra os 40 denunciados. O ex-deputado federal João Magno (PT-MG), que responderá por lavagem de dinheiro, alegou inocência. "Estou com a consciência tranqüila de que os recursos vieram do PT para mim e não lavei dinheiro". Magno foi acusado de receber R$ 426 mil das contas de Valério. O ex-deputado José Borba (PMDB-PR), que renunciou para escapar da cassação, disse que o processo está "em boas mãos, na Justiça". "Nunca faltamos com a verdade."Dizendo-se "tranqüilíssimo" em relação ao processo que terá de enfrentar, o ex-presidente do PP José Janene disse que a aceitação das denúncias era esperada. "A gente sabia que ia ser aceita de qualquer maneira. Acho que o Supremo agiu corretamente, pois vai dar oportunidade de provar a inocência de quem é inocente."José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete do ex-ministro Anderson Adauto e hoje presidente do Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau), disse, em nota, que recebeu com "serenidade" o indiciamento por lavagem de dinheiro. Mas considerou que o "STF fez uma avaliação superficial do processo, calcada em indícios, não em fatos". O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) informou, por meio de sua assessoria, que reitera a sua posição de não fazer comentários sobre assuntos que estão sendo apreciados pelo Judiciário ou manifestações do Ministério Público. Procurados, outros réus não foram encontrados ou não atenderam a imprensa. COLABORARAM CLARISSA OLIVEIRA, EDUARDO KATTAH, EVANDRO FADEL, RAQUEL MASSOTE e RICARDO BRANDT

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