Jefferson diz que 'salvou' o Brasil de José Dirceu

Presidente nacional do PTB e um dos 38 réus no processo do mensalão, Roberto Jefferson afirmou ter "salvado" o Brasil do ex-ministro José Dirceu, foco do seu ataque nas denúncias sobre a existência de um esquema de corrupção no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

FERNANDA NUNES, Agência Estado

06 de agosto de 2012 | 08h54

"A minha luta era com o José Dirceu. Ele me derrubou, mas eu salvei o Brasil dele. Isso para mim é satisfatório. Ele não foi, ele não é e não será presidente do Brasil. Caímos os dois. Não tenho no coração nenhum ódio, nenhum ressentimento contra ele", afirmou.

Usando termos próprios de torneios de luta livre, Jefferson deu sinais, no entanto, de que não entrará mais em embate com Dirceu e atribuiu ao Supremo Tribunal Federal e à opinião pública a tarefa de julgar Dirceu.

"O meu octógono de luta com ele já se exauriu. A luta agora é de vocês (imprensa), da opinião pública e dos ministros. Estou satisfeito", disse o ex-deputado. Jefferson voltou a eximir o ex-presidente de qualquer responsabilidade pelo mensalão.

Democracia

Abatido e com a respiração ofegante, logo na saída do Hospital Samaritano onde passou por cirurgia para a retirada de um tumor no pâncreas, Jefferson disse acreditar na Justiça e classificou o julgamento do STF como "o maior momento de afirmação da democracia no Brasil". Para ele, a acusação do Procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi eficaz, apesar da "prova ser frágil" em muitos momentos.

"Ele tem razão em muitas coisas que ouvi durante as cinco horas do seu relatório e não tem razão em outras tantas que eu ouvi também. Falou a acusação. Agora, nessa festa democrática do Brasil, que nós estamos vivendo, falarão as defesas. E nós vamos escutar todas elas", afirmou.

Recuperação

O PT de Dirceu foi atacado por Jefferson até mesmo em seu comentário sobre o tratamento médico. "Eu sou um guerreiro. Já peitei o PT sozinho de frente. O que eu não vou fazer com um câncerzinho de pâncreas?", provocou o ex-deputado, que disse ter recebido o diagnóstico da doença com serenidade e estar confiante na cura.

O presidente do PTB deixou o hospital ao lado da mulher, Ana Lúcia Novaes, em direção à sua residência na Barra da Tijuca. Ele permanecerá no Rio de Janeiro por pelo menos 15 dias em observação médica e iniciará a quimioterapia na segunda quinzena de setembro. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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